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terça-feira, 30 de abril de 2013

"Tenho pena que a maior parte das pessoas tenha cérebros tão pequeninos"


Excerto da entrevista a José Raposo da Rádio Cartaxo e do jornal O POVO DO CARTAXO, que pode assinar aqui.

As figuras públicas de uma forma geral têm uma grande exposição mediática, o José Raposo também, sobretudo desde há algum tempo a esta parte…
Sim, desde que casei com uma moça mais nova….

Lida bem com isso?
Sim, lido, porque percebi muito cedo que são ossos do ofício, faz parte da vida, quando uma pessoa se torna uma figura pública tem uma exposição muito maior, os outros falam de nós. Claro que há pessoas mal-educadas, pessoas que exageram, pessoas que abusam, mas isso faz parte do ser humano, o ser mal-educado também é uma característica do ser humano.

Às vezes não é frustrante um actor fazer um grande trabalho, praticamente não sair nada na comunicação social e depois ter um caso qualquer que, supostamente devia ficar na sua vida privada, e ser capa de revista?
É frustrante, é, tenho muita pena que a maior parte das pessoas tenha cérebros tão pequeninos, porque o que lhes interessa é isso, a cosquice, a vida particular, quem é que pôs os palitos a quem, por isso é que o Big Brother teve êxito. Eu não sou superior a ninguém, somos todos feitos da mesma matéria, temos carne, ossos, sangue, mas nunca liguei nenhuma, nem vou ligar, a essas questões, desde que não me diga respeito. Não percebo como é que as pessoas ficam assim doidas com essas novelas da vida privada, não lhes basta a novela da televisão?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

“Ter duas peças em cena é uma grande maluqueira, mas fazer teatro é a coisa de que mais gosto na vida”


Excerto da entrevista a José Raposo da Rádio Cartaxo e do jornal O POVO DO CARTAXO, que pode assinar aqui.

Actualmente, acumula a profissão de actor com a função de produtor, tem duas peças em cena ao mesmo tempo…
Sim. Formei uma produtora com a Sara Barradas, que é a minha mulher, exactamente para produzir teatro, que é a coisa que mais gosto. Estamos a fazer duas peças ao mesmo tempo, uma às 19h30, que é “A casa de campo” e outra, às 21h30, “Isto é que me dói”.

Mas logo duas porquê? Não é uma grande maluqueira?
É uma maluqueira, sim senhor. Eu também sou um pouco maluco, gosto muito de teatro, tenho 50 anos e quero aproveitar ao máximo o tempo de vida que me resta para fazer aquilo que eu mais gosto e, portanto, já que tinha a possibilidade de escolher actores, autores, peças, tentei arriscar assim.
A peça das 19h30 é que é uma grande loucura porque nós não temos esse hábito, o povo português não está habituado a ir ao teatro ao fim da tarde, mas é um conceito que acho muito interessante. Aí por volta das 18 ou 19 horas uma pessoa acaba de trabalhar, vai ali ver a peça, que acaba logo às 20h30, diverte-se e depois ainda pode ir jantar às 20h30, acho isso fantástico.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

"Não sei se tenho talento para a fotografia"

Este Domingo, o fotógrafo António Homem-Cardoso esteve no Centro Cultural do Cartaxo (CCC) para a habitual tertúlia “José Raposo Convida”.  António Homem-Cardoso nasceu em 1945, numa aldeia perto de Viseu, e desde os 14 anos que a máquina fotográfica começou a fazer parte da sua vida.  Foi em Lisboa, para onde foi viver a partir dos 10 anos, que aconteceu o episódio que considera ter mudado a sua vida. “Ia a passar na Praça de Touros de Algés quando vi uns projectores acesos e reparei que era um filme que estava a ser rodado, com os actores Eddie Constantine e Barbara Lage. Eles simpatizaram comigo, convidaram-me para figurante e mascote e pagaram-me 1363 escudos, uma fortuna na altura. No final, o Constantine ofereceu-me a sua máquina fotográfica”, contou António Homem-Cardoso.

Ao longo da sua vida, muitas foram as figuras públicas que fotografou e com muitas delas estabeleceu laços de grande amizade. Conheceu e fotografou personalidades como o Papa João Paulo II, o príncipe Rainier ou o sultão Oman. É o fotógrafo oficial da Casa Real Portuguesa e, através de D. Duarte, conheceu grande parte dos príncipes e famílias reais de toda a Europa. Foi para a imprensa que começou a trabalhar, principalmente para o Diário Popular e Diário de Notícias, nos anos 60. “Apaixonou-se” por África quando passou a trabalhar para a revista Observador e após o 25 de Abril optou por se dedicar à fotografia publicitária.  O sucesso foi tanto que teve “de aumentar o preço das fotografias para poder ter tempo para comer e dormir”. Mais tarde, optou pelos livros e já conta com mais de uma centena de obras publicadas.  Mas são sobretudo os retratos que o fascinam. Para ele, “não há retrato sem relação, sem o embate entre as dúvidas de quem retrata e de quem está a ser fotografado. Tive a sorte de ser um homem a quem as mulheres se confessam”, revela, acrescentando convictamente que “o fotógrafo tem de ser alguém em quem se confie”.

Com um grande sentido de humor, que caracterizou toda a sua conversa – ao longo da qual revelou ser também “um óptimo contador de histórias”, como considerou José Raposo – António Homem-Cardoso descreve com facilidade o melhor da fotografia: “dar a possibilidade de viver sem ter um emprego”, à qual se junta “o lado alegre da descoberta de uma profissão necessariamente cultural, através da qual se conhece o mundo”. Depois de tantos anos de carreira, António Homem-Cardoso afirma não saber se tem talento para a fotografia. “Sempre achei que a minha profissão não tinha importância nenhuma, mas acredito que tenho feito as coisas certas”. Independentemente da formação, considera que “um bom fotógrafo precisa é de ver. Se tiver uma visão razoável e amor ao mundo, pode sobreviver sem ter de aturar o chefe”, rematou, provocando uma vez mais muitos sorrisos na assistência.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

"Os pais faziam tudo para que os filhos não fossem para o teatro"

Foto: Vítor Neno
Francisco Nicholson foi o convidado deste mês de José Raposo, no espaço de tertúlia que mantém no Centro Cultural do Cartaxo. O actor, argumentista televisivo, dramaturgo e encenador recordou alguns episódios da sua vida e confessou sempre ter sido muito irreverente, o que fez com que conseguisse agarrar muitas oportunidades que, de outra forma, não conseguiria. Foi essa irreverência que o fez iniciar-se na escrita. Ao ver que o texto da peça da companhia em que trabalhava como ponto era mau, disse alto e bom som que ele próprio conseguiria escrever uma peça melhor em 24 horas. O desafio foi aceite e assim se iniciou no teatro a sério, também como actor, uma vez que não se esqueceu de deixar um papel para si próprio na peça.
Recorda-se que, na altura, o teatro “fazia-se por vocação, porque se gostava verdadeiramente. E os pais faziam tudo para que os filhos não fossem para o teatro, inventava-se imensas histórias. Hoje há mães que quase empurram os filhos para os nossos braços. Há muito talento, mas há também muita gente a quer fazer teatro apenas para ver o seu nome nos cartazes”.
Foi no Teatro ABC que se popularizou com o teatro de revista e foi com o programa televisivo “Riso e Ritmo” (1964) – em que foi autor e actor, contracenando com Armando Cortez – que se deu a conhecer a todos os portugueses.   Recorda-se que a peça 'Bikini' "foi a primeira revista que fiz – no início dos anos 60, no ABC – e foi um estoiro enorme, um grande sucesso, porque era diferente e ninguém estava à espera. Eu era o autor e participava também como actor".
 Francisco Nicholson não deixou de representar nem de escrever. Depois de ter passado pela Companhia Nacional de Teatro e pelo Teatro Estúdio Lisboa, inaugurou o Teatro  Villaret integrando o elenco da peça “O Inspetor Geral de Nicolau Gogol”. No dia 25 de abril de 1974, o ABC tinha em cena “Tudo a Nu”, de que era autor, encenador e ator.  Dirigiu e interpretou variados programas televisivos, escreveu diversas novelas – tendo sido o autor de “Vila Faia”, a primeira telenovela portuguesa –, foi também autor de várias séries para televisão e argumentista no cinema. Recentemente encenou a peça “Isto É Que Me Dói”, com José Raposo e Sara Barradas.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

José Raposo com Rita Pereira

José Raposo festeja hoje o seu 50º aniversário. Em jeito de 'prenda' aqui deixamos um pequeno vídeo relativo ao espaço 'José Raposo Convida', que apresenta, mensalmente, no Centro Cultural do Cartaxo. Neste caso, a convidada foi a actriz Rita Pereira.


Maria Rueff e Joaquim Monchique no Centro Cultural do Cartaxo

Maria Rueff e Joaquim Monchique, dois dos mais conhecidos comediantes nacionais vão pisar o palco do Centro Cultural do Cartaxo, no próximo dia 22 de Fevereiro.
Os dois actores são os protagonistas da peça  “Lar, Doce Lar”, onde dão corpo a diversos personagens, partilhando memórias, confidências e, sobretudo, hilariantes atribulações. 
Este é um dos destaques principais da programação deste mês do Centro Cultural, que, como é habitual, também reserva para o último domingo mais uma sessão de conversa com José Raposo. O convidado previsto para o dia 24 é o realizador José Fonseca e Costa. 
Na sala de cinema, continua a decorrer o ciclo dedicado à Ásia. Neste mês de Fevereiro, estão em exibição produções oriundas da China, designadamente “Adeus Minha Concubina” (dia 1), “Disponível para Amar” (dia 8), “Ocean Heaven” (dia 15) e “Sedução, Conspiração” (dia 22).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A 'boa' da fita


Rita Pereira esteve, no Domingo, no Centro Cultural do Cartaxo, a participar em mais uma das conversas promovidas por José Raposo. A modelo e actriz recordou o seu difícil início, em que foi rejeitada por muitas agências que entendiam não ter a sua imagem "nada de especial".
Hoje, diz ter consciência de que acontece darem-lhe papéis por a sua imagem vender bem, aceita as regras do jogo, mas confessa que, por vezes, sente-se mal por ter trabalho enquanto que outras pessoas muito talentosas e experientes ficam de lado.
Rita Pereira também falou da relação complicada que tem com a imprensa, em especial, a 'cor-de-rosa'. Admite precisar dela, mas lamenta que sejam falsas muitas das notícias que escrevem sobre si. Deu o exemplo de uma notícia que dizia que "passados 20 anos, me tinha reencontrado com a minha mãe". Ora acontece que "eu vivi com a minha mãe a vida toda, se calhar reencontrámo-nos naquele dia na praia porque já não nos víamos desde... de manhã".
Nas novelas, normalmente faz de boazinha, uma regra que foi quebrada na última, situação que não agradou nada à sua avó. Mas, agora, a senhora está mais animada, pois a neta já a informou que, na próxima novela, vai voltar a fazer de boa da fita.