quinta-feira, 8 de maio de 2014
Gala à Antiga Portuguesa
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Uma esquadra com problemas de identidade
No Cartaxo há uma esquadra da PSP fantástica, única no país.
Quer dizer, levou uma série de anos a ser construída e ainda está fechada, mas só pode ser fantástica. É que já foi inaugurada por um presidente de Câmara e agora vai ser novamente inaugurada, e por um ministro. Quanta honra!
Mas, ainda assim, tenho pena da famosa esquadra, pois é possível que a desgraçada venha a ter problemas de identidade quando crescer e inclusivamente a ver-se obrigada a contratar um psicólogo. É que não vai saber se nasceu em 15 de Setembro de 2013 ou em 20 de Maio de 2014. E pior ainda, fica na dúvida sobre quem será o seu verdadeiro pai: o ex-presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Varanda, ou o actual ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.
(Opinião - Jorge Eusébio)
Quer dizer, levou uma série de anos a ser construída e ainda está fechada, mas só pode ser fantástica. É que já foi inaugurada por um presidente de Câmara e agora vai ser novamente inaugurada, e por um ministro. Quanta honra!
Mas, ainda assim, tenho pena da famosa esquadra, pois é possível que a desgraçada venha a ter problemas de identidade quando crescer e inclusivamente a ver-se obrigada a contratar um psicólogo. É que não vai saber se nasceu em 15 de Setembro de 2013 ou em 20 de Maio de 2014. E pior ainda, fica na dúvida sobre quem será o seu verdadeiro pai: o ex-presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Varanda, ou o actual ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.
(Opinião - Jorge Eusébio)
Moeda ao ar
Como não esperava ganhar as eleições, receio ter cometido algumas imprudências, ao longo da campanha eleitoral.
Por exemplo, ofereci o cargo de chefe de gabinete da presidência ao Chico. E também ao Vicente. E, se não me engano, também ao Ribeiro e ao Costa.
Se a memória não me falha, igualmente garanti o lugar de adjunto a, pelo menos, outros cinco dedicados apoiantes.
Bom, agora lá vou ter de resolver o problema, que remédio. Depois de intensa reflexão sobre quais os candidatos com melhores capacidades para desempenhar, fiquei na mesma. Acabei por resolver o problema pelo científico e infalível método da moeda ao ar. Ganhou o Vicente.
Agora, há que tentar arranjar um cargozito menos importante e lucrativo para alguns dos outros e arranjar boas e inúteis desculpas para atirar os outros pela borda fora.
Por exemplo, ofereci o cargo de chefe de gabinete da presidência ao Chico. E também ao Vicente. E, se não me engano, também ao Ribeiro e ao Costa.
Se a memória não me falha, igualmente garanti o lugar de adjunto a, pelo menos, outros cinco dedicados apoiantes.
Bom, agora lá vou ter de resolver o problema, que remédio. Depois de intensa reflexão sobre quais os candidatos com melhores capacidades para desempenhar, fiquei na mesma. Acabei por resolver o problema pelo científico e infalível método da moeda ao ar. Ganhou o Vicente.
Agora, há que tentar arranjar um cargozito menos importante e lucrativo para alguns dos outros e arranjar boas e inúteis desculpas para atirar os outros pela borda fora.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Estou lixado, ganhei as eleições
Acabei por ganhar as eleições por uma unha negra. A margem foi tão pequena que a oposição até exigiu a recontagem dos votos. Confirmada a vitória, a minha malta quase estourava de alegria. Foi uma loucura, algo nunca visto no concelho, nem sequer faltaram os foguetes. Todos viviam um momento inesquecível. Todos, menos eu.
Francamente, nunca me passou pela cabeça ganhar estas eleições autárquicas.
Só fui candidato por dever de lealdade partidária. Por duas vezes, o secretário-geral do partido fez questão de se encontrar pessoalmente comigo para me convencer a avançar. Fez-me ver que não tinha mais ninguém que garantisse um bom resultado no concelho. Apelou ao meu amor pelo partido e assumiu que ficaria em dívida para comigo se resolvesse ser candidato.
Fui resistindo o mais possível, até que, por dever de lealdade partidária, resolvi avançar. Por isso e por, na segunda reunião, ele me ter garantido um lugar elegível na lista para o Parlamento Europeu.
E, afinal, sem saber ler nem escrever, acabei por ganhar as eleições autárquicas. Durante pelo menos quatro anos vou ser o senhor presidente desta terreola de fim-do-mundo, em vez de seguir viagem para a civilizada Bruxelas. Raios partam isto. Mais uma vez se confirma que não tenho sorte nenhuma na puta da vida. Ganhei as eleições. Estou lixado!
Francamente, nunca me passou pela cabeça ganhar estas eleições autárquicas.
Só fui candidato por dever de lealdade partidária. Por duas vezes, o secretário-geral do partido fez questão de se encontrar pessoalmente comigo para me convencer a avançar. Fez-me ver que não tinha mais ninguém que garantisse um bom resultado no concelho. Apelou ao meu amor pelo partido e assumiu que ficaria em dívida para comigo se resolvesse ser candidato.
Fui resistindo o mais possível, até que, por dever de lealdade partidária, resolvi avançar. Por isso e por, na segunda reunião, ele me ter garantido um lugar elegível na lista para o Parlamento Europeu.
E, afinal, sem saber ler nem escrever, acabei por ganhar as eleições autárquicas. Durante pelo menos quatro anos vou ser o senhor presidente desta terreola de fim-do-mundo, em vez de seguir viagem para a civilizada Bruxelas. Raios partam isto. Mais uma vez se confirma que não tenho sorte nenhuma na puta da vida. Ganhei as eleições. Estou lixado!
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Um escândalo
No Cartaxo realizou-se uma Festa do
Vinho. Até aí, tudo bem. Garrafas de tintos, brancos e rosés à disposição dos
visitantes que tivessem uns eurozitos para comprá-las. Óptimo. Provas
enogastronómicas. Melhor ainda. E, nas tasquinhas, petiscos para ajudar a
mandar abaixo o precioso líquido e, no palco, animação musical a acompanhar.
Parecia o melhor dos mundos e era
quase. A não ser por um pequeno pormenor. Então não é que nas tasquinhas também
se podia vender sumos, refrigerantes e, imagine-se, até água… Um escândalo!
(Opinião - Jorge Eusébio)
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Assim já dá gozo
Os dirigentes e deputados do CDS são uns desgraçados, fartam-se de sofrer. Enfim, alguns deles, como, por exemplo, o próprio Paulo Portas. Vê-se que os homens nasceram para estar na oposição, o seu talento é oporem-se a quem governa. Daí que seja um sacrifício para estas almas terem o CDS no governo. Felizmente que é o partido minoritário e, por isso, para não perderem o hábito, semana sim, semana não, vão fazendo oposição a quem é suposto mandar no governo, o PSD. Mas, mesmo isso não lhes enche a alma. Fazer oposição selectiva dá trabalho, é chato. É mais fácil pegar na bazuca e disparar a eito contra todos os que estão no poder.
Deve ter sido esse o pensamento do deputado centrista João Almeida ao, a pretexto de uma proposta de limitação de animais em apartamentos, atacar a ministra da Agricultura, que, por acaso, é sua colega de partido.
Na altura em que escrevo este texto, Paulo Portas apresenta o programa de reforma do Estado. Espero que João Almeida não me desiluda e venha rapidamente criticar o seu chefe de partido. Quanto mais não seja pela forma chata como faz a apresentação.
(Opinião, Jorge Eusébio)
Deve ter sido esse o pensamento do deputado centrista João Almeida ao, a pretexto de uma proposta de limitação de animais em apartamentos, atacar a ministra da Agricultura, que, por acaso, é sua colega de partido.
Na altura em que escrevo este texto, Paulo Portas apresenta o programa de reforma do Estado. Espero que João Almeida não me desiluda e venha rapidamente criticar o seu chefe de partido. Quanto mais não seja pela forma chata como faz a apresentação.
(Opinião, Jorge Eusébio)
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
E agora?
(Quarto de uma série de posts de análise aos resultados eleitorais no Cartaxo)
Os eleitores do Cartaxo deram a vitória ao PS, mas com maioria relativa. Isso significa que o PS terá de encontrar apoios para levar a cabo o seu programa.
Olhando para a Câmara, verificamos que foram eleitos 3 elementos do PS, 2 do Movimento pelo Cartaxo e outros 2 do PSD. Em face deste cenário como é que pode ser assegurada a governabilidade?
Para alguém que acompanhou a política cartaxeira ao longos do último ano, a resposta não tem dificuldade nenhuma. Terá de ser através de um entendimento entre o PS e e PSD. É que, depois do que disseram um do outro e do clima de conflitualidade que rodeou as relações entre Pedro Ribeiro e Paulo Varanda, não passa pela cabeça de ninguém (embora, como se sabe, em política tudo seja possível) agora entenderem-se os dois.
Uma das hipóteses é que o entendimento entre o PS e o PSD possa tomar a forma de uma coligação oficial e abrangente, que inclua todos os órgãos autárquicos. A segunda possibilidade é que se opte por acordos pontuais, negociados caso a caso.
Do ponto de vista da governabilidade do concelho, numa altura em que há problemas muito graves para resolver, seria preferível um acordo formal e global. PS e PSD juntos assegurariam a maioria não só na Câmara, como na Assembleia Municipal e ainda em quatro das seis freguesias (União Cartaxo/Vale da Pinta; União Ereira/Lapa; Vale da Pedra e Vila Chã de Ourique). Seria, assim, possível aos autarcas eleitos trabalharem com tranquilidade e colocarem a sua atenção e empenho na busca das melhores soluções e não na negociação política de cada uma das propostas.
No entanto, não acredito que se avance para uma coligação. Para o PSD seria uma opção muito arriscada. Pela positiva, tinha, finalmente, a possibilidade de deixar a sua marca no concelho, uma vez que os seus eleitos passariam a ter pelouros e responsabilidades executivas. Mas o problema é que deixaria toda a oposição para Paulo Varanda e o Movimento pelo Cartaxo. Corria, pois, o risco de, nas próximas autárquicas, quem concordasse com a forma como o concelho foi governado votasse no PS (o principal partido da 'coligação') e os outros dessem a sua confiança ao partido da oposição, o Movimento pelo Cartaxo, ficando o PSD numa posição irrelevante.
Portanto, acho que os social-democratas vão mostrar disponibilidade para ajudar na governabilidade do concelho, mas com negociações caso a caso e impondo condições ao PS. Como não acredito que os dois partidos estejam interessados em provocar eleições antecipadas, nos primeiros tempos, com maior ou menor dificuldade, penso que os problemas serão ultrapassados. A partir do meio do mandato, com os olhos já colocados nas próximas eleições, é que as coisas podem complicar-se.
(Opinião, Jorge Eusébio)
Os eleitores do Cartaxo deram a vitória ao PS, mas com maioria relativa. Isso significa que o PS terá de encontrar apoios para levar a cabo o seu programa.
Olhando para a Câmara, verificamos que foram eleitos 3 elementos do PS, 2 do Movimento pelo Cartaxo e outros 2 do PSD. Em face deste cenário como é que pode ser assegurada a governabilidade?
Para alguém que acompanhou a política cartaxeira ao longos do último ano, a resposta não tem dificuldade nenhuma. Terá de ser através de um entendimento entre o PS e e PSD. É que, depois do que disseram um do outro e do clima de conflitualidade que rodeou as relações entre Pedro Ribeiro e Paulo Varanda, não passa pela cabeça de ninguém (embora, como se sabe, em política tudo seja possível) agora entenderem-se os dois.
Uma das hipóteses é que o entendimento entre o PS e o PSD possa tomar a forma de uma coligação oficial e abrangente, que inclua todos os órgãos autárquicos. A segunda possibilidade é que se opte por acordos pontuais, negociados caso a caso.
Do ponto de vista da governabilidade do concelho, numa altura em que há problemas muito graves para resolver, seria preferível um acordo formal e global. PS e PSD juntos assegurariam a maioria não só na Câmara, como na Assembleia Municipal e ainda em quatro das seis freguesias (União Cartaxo/Vale da Pinta; União Ereira/Lapa; Vale da Pedra e Vila Chã de Ourique). Seria, assim, possível aos autarcas eleitos trabalharem com tranquilidade e colocarem a sua atenção e empenho na busca das melhores soluções e não na negociação política de cada uma das propostas.
No entanto, não acredito que se avance para uma coligação. Para o PSD seria uma opção muito arriscada. Pela positiva, tinha, finalmente, a possibilidade de deixar a sua marca no concelho, uma vez que os seus eleitos passariam a ter pelouros e responsabilidades executivas. Mas o problema é que deixaria toda a oposição para Paulo Varanda e o Movimento pelo Cartaxo. Corria, pois, o risco de, nas próximas autárquicas, quem concordasse com a forma como o concelho foi governado votasse no PS (o principal partido da 'coligação') e os outros dessem a sua confiança ao partido da oposição, o Movimento pelo Cartaxo, ficando o PSD numa posição irrelevante.
Portanto, acho que os social-democratas vão mostrar disponibilidade para ajudar na governabilidade do concelho, mas com negociações caso a caso e impondo condições ao PS. Como não acredito que os dois partidos estejam interessados em provocar eleições antecipadas, nos primeiros tempos, com maior ou menor dificuldade, penso que os problemas serão ultrapassados. A partir do meio do mandato, com os olhos já colocados nas próximas eleições, é que as coisas podem complicar-se.
(Opinião, Jorge Eusébio)
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
A origem dos votos de Paulo Varanda
(Terceiro de uma série de posts de análise aos resultados eleitorais no Cartaxo)
Ao longo da campanha eleitoral sempre pensei que a esmagadora maioria dos votos que Paulo Varanda e o Movimento pelo Cartaxo iriam conseguir seria à custa do Partido Socialista. À primeira vista, uma análise aos resultados indica que é capaz de não ter sido bem assim. Recordo que, em comparação com 2009, o PS perdeu 1249 votos, o PSD 1097, a CDU 383 e o Bloco de Esquerda 529. Sendo que Paulo Varanda obteve 2821, poder-se-ia concluir que foi buscar um grande número de votos a todos os quadrantes. E, se calhar, até foi.
No entanto, continuo convencido que a grande maioria dos seus votos foi 'roubada' ao PS. Primeiro, porque se olharmos para as pessoas que constituíram o núcleo-base de Paulo Varanda eram quase todas da área socialista e não acredito que não tenham conseguido trazer consigo muitos votos.
Depois, porque me parece pouco lógico que das candidaturas do Bloco e da CDU tenham saído quase mil votos para Paulo Varanda e que o mesmo destino tenha tido a esmagadora maioria dos quase 1100 que o PSD viu fugir.
Parece-me mais razoável pensar que tenha havido uma transferência de, digamos, para aí uns 2000 votos do PS para Paulo Varanda e que os restantes tenham vindo da abstenção e umas centenas, sim senhor, do PSD e eventualmente umas dezenas da CDU e, até, do Bloco. Mas, nestes dois últimos casos, em número bastante reduzido.
Depois, terá havido uma fuga de votos do PSD para o PS por dois motivos essenciais. Por um lado, gente que há 4 anos votou nos social-democratas mostrou-se agora desiludida com o Governo e resolveu mostrar-lhe o cartão amarelo desta forma. A outra razão prende-se com o voto útil. Muitos eleitores que não gostam de Paulo Varanda e da sua governação e que, eventualmente, terão votado PSD em 2009, agora optaram por dar o seu voto ao PS por pensarem ser o partido que estaria em melhores condições de vencer as eleições e derrotar o actual presidente da Câmara. O mesmo fenómeno do voto útil terá afectado, igualmente, a CDU e, em maior escala, o Bloco de Esquerda.
Enfim, pelo menos, é esta a análise que faço dos resultados eleitorais e que pode estar completamente errada, como é óbvio.
(Opinião, Jorge Eusébio)
Ao longo da campanha eleitoral sempre pensei que a esmagadora maioria dos votos que Paulo Varanda e o Movimento pelo Cartaxo iriam conseguir seria à custa do Partido Socialista. À primeira vista, uma análise aos resultados indica que é capaz de não ter sido bem assim. Recordo que, em comparação com 2009, o PS perdeu 1249 votos, o PSD 1097, a CDU 383 e o Bloco de Esquerda 529. Sendo que Paulo Varanda obteve 2821, poder-se-ia concluir que foi buscar um grande número de votos a todos os quadrantes. E, se calhar, até foi.
No entanto, continuo convencido que a grande maioria dos seus votos foi 'roubada' ao PS. Primeiro, porque se olharmos para as pessoas que constituíram o núcleo-base de Paulo Varanda eram quase todas da área socialista e não acredito que não tenham conseguido trazer consigo muitos votos.
Depois, porque me parece pouco lógico que das candidaturas do Bloco e da CDU tenham saído quase mil votos para Paulo Varanda e que o mesmo destino tenha tido a esmagadora maioria dos quase 1100 que o PSD viu fugir.
Parece-me mais razoável pensar que tenha havido uma transferência de, digamos, para aí uns 2000 votos do PS para Paulo Varanda e que os restantes tenham vindo da abstenção e umas centenas, sim senhor, do PSD e eventualmente umas dezenas da CDU e, até, do Bloco. Mas, nestes dois últimos casos, em número bastante reduzido.
Depois, terá havido uma fuga de votos do PSD para o PS por dois motivos essenciais. Por um lado, gente que há 4 anos votou nos social-democratas mostrou-se agora desiludida com o Governo e resolveu mostrar-lhe o cartão amarelo desta forma. A outra razão prende-se com o voto útil. Muitos eleitores que não gostam de Paulo Varanda e da sua governação e que, eventualmente, terão votado PSD em 2009, agora optaram por dar o seu voto ao PS por pensarem ser o partido que estaria em melhores condições de vencer as eleições e derrotar o actual presidente da Câmara. O mesmo fenómeno do voto útil terá afectado, igualmente, a CDU e, em maior escala, o Bloco de Esquerda.
Enfim, pelo menos, é esta a análise que faço dos resultados eleitorais e que pode estar completamente errada, como é óbvio.
(Opinião, Jorge Eusébio)
terça-feira, 1 de outubro de 2013
O que aconteceu ao PSD?
O PSD/Cartaxo tinha quase tudo para ser feliz no dia das eleições. Estou no concelho há poucos anos, mas pessoas que há muito tempo acompanham a política e em cuja opinião confio dizem-me que apresentou das listas mais equilibradas de sempre. Foi também visível que fez uma campanha organizada e com cabeça, tronco e membros.
Mas, mais importante do que isso, tinha os seus rivais socialistas divididos em duas candidaturas, o que lhe dava a esperança de, eventualmente, poder ganhar as eleições, mesmo não tendo mais votos do que em 2009. Na base desta expectativa estava a ideia de que a esmagadora maioria dos votos que Paulo Varanda e o seu movimento conseguissem seriam votos retirados ao PS. E imaginemos que dos 2.281 votos que o ainda presidente de Câmara conseguiu, aí uns 75% tivessem realmente sido 'roubados' ao PS. Isso significaria que Pedro Ribeiro ficaria com menos de 3.300 votos. Ora tendo em conta que o PSD em 2009 obteve 3.309, estaria na luta pela vitória.
Um cenário que não se concretizou, acabando os social-democratas por ter um péssimo resultado. O que é que aconteceu?
Para responder a essa pergunta, convém regressar à fase de escolha do cabeça-de-lista. Havia duas hipóteses: ou o PSD voltava a apostar num independente, que desse uma imagem de maior abrangência ou apostaria numa figura partidária com grande experiência e capacidade política. Na altura, defendi que haveria mais vantagens da parte dos social-democratas em irem pelo primeiro caminho, voltando a apostar em Paulo Neves. Isso tinha a ver com a situação nacional que poderia contaminar as eleições locais. As pessoas do Cartaxo sabem que a Câmara está numa situação financeira muito complicada, vêm os caminhos e estradas esburacados, os apoios às colectividades cortados e, obviamente, não gostam e haverá a tendência de castigar nas eleições quem consideram responsáveis por isso. Mas também não gostam seguramente de ver os seus salários diminuídos, os seus impostos aumentados e os seus familiares desempregados. E sabem que a responsabilidade por isso acontecer é do poder central e não do local. Era previsível que muitos tivessem a tentação de punir o principal partido do poder, o PSD, nestas eleições.
Um candidato independente poderia mais facilmente demarcar-se do Governo. Bastava-lhe dizer que não era militante do partido, que também sofria por essas políticas, que não as defendia e que só se candidatava para fazer o que fosse possível pela sua terra. Caso arrumado.
O mesmo não poderia fazer uma pessoa como Vasco Cunha cuja imagem, por ser deputado, estava muito colada à política do Governo.
Ora, como se sabe, o PSD optou por avançar com Vasco Cunha. Mas, consciente do perigo que referi, tentou equilibrar as listas, enchendo-as de independentes e até de gente ligada à área socialista, procurando também, por esta via, dividi-la ainda mais. A estratégia pareceu-me inteligente e os social-democratas até tiveram a sorte de PS e Paulo Varanda não atacarem Vasco Cunha, ao longo da campanha, de forma a colá-lo ao Governo.
Afinal, as pessoas resolveram aproveitar mesmo as eleições locais para mostrarem um cartão amarelo ao Governo. Isso fez com que a maior parte das candidaturas do PSD apanhassem por tabela e registassem votações muito abaixo do que esperariam. Isso também aconteceu no Cartaxo.
Mas parece-me haver outra razão para o descalabro local dos social-democratas. Ao contrário do que eu próprio esperava, a votação de Paulo Varanda não foi conseguida, em boa medida, à custa do PS. Ao analisar os resultados, verificamos que, aparentemente, terá ido buscar votos a todos os partidos e um dos mais prejudicados até foi o PSD, que perdeu quase 1.100 votos. É evidente que não se pode dizer que houve uma transferência directa de votos da CDU, do Bloco e do próprio PSD para Paulo Varanda, ter-se-ão registado, seguramente, transferências cruzadas e haverá gente que não tinha votado há quatro anos e que foi votar agora. Mas o que é facto é que todos esses partidos (PS incluído) perderam votos e Paulo Varanda arrecadou mais de 2.800.
Terá havido, igualmente, uma tendência para o voto útil. Muitos cartaxeiros que não gostavam de Paulo Varanda e da sua gestão poderão ter olhado ao lado e verificado que a melhor forma de o afastar do poder seria votarem na candidatura que estava estava em melhores condições de o derrotar e optaram pelo PS.
Mas a política (tal como a vida) não deixa de ser irónica. Apesar de ter tido um dos seus piores resultados de sempre nestas eleições, o mandato que se aproxima até pode ser aquele em que o PSD tenha mais influência e deixe a sua marca na governação autárquica. Mas sobre isso falarei num próximo post.
(Opinião, Jorge Eusébio)
Mas, mais importante do que isso, tinha os seus rivais socialistas divididos em duas candidaturas, o que lhe dava a esperança de, eventualmente, poder ganhar as eleições, mesmo não tendo mais votos do que em 2009. Na base desta expectativa estava a ideia de que a esmagadora maioria dos votos que Paulo Varanda e o seu movimento conseguissem seriam votos retirados ao PS. E imaginemos que dos 2.281 votos que o ainda presidente de Câmara conseguiu, aí uns 75% tivessem realmente sido 'roubados' ao PS. Isso significaria que Pedro Ribeiro ficaria com menos de 3.300 votos. Ora tendo em conta que o PSD em 2009 obteve 3.309, estaria na luta pela vitória.
Um cenário que não se concretizou, acabando os social-democratas por ter um péssimo resultado. O que é que aconteceu?
Para responder a essa pergunta, convém regressar à fase de escolha do cabeça-de-lista. Havia duas hipóteses: ou o PSD voltava a apostar num independente, que desse uma imagem de maior abrangência ou apostaria numa figura partidária com grande experiência e capacidade política. Na altura, defendi que haveria mais vantagens da parte dos social-democratas em irem pelo primeiro caminho, voltando a apostar em Paulo Neves. Isso tinha a ver com a situação nacional que poderia contaminar as eleições locais. As pessoas do Cartaxo sabem que a Câmara está numa situação financeira muito complicada, vêm os caminhos e estradas esburacados, os apoios às colectividades cortados e, obviamente, não gostam e haverá a tendência de castigar nas eleições quem consideram responsáveis por isso. Mas também não gostam seguramente de ver os seus salários diminuídos, os seus impostos aumentados e os seus familiares desempregados. E sabem que a responsabilidade por isso acontecer é do poder central e não do local. Era previsível que muitos tivessem a tentação de punir o principal partido do poder, o PSD, nestas eleições.
Um candidato independente poderia mais facilmente demarcar-se do Governo. Bastava-lhe dizer que não era militante do partido, que também sofria por essas políticas, que não as defendia e que só se candidatava para fazer o que fosse possível pela sua terra. Caso arrumado.
O mesmo não poderia fazer uma pessoa como Vasco Cunha cuja imagem, por ser deputado, estava muito colada à política do Governo.
Ora, como se sabe, o PSD optou por avançar com Vasco Cunha. Mas, consciente do perigo que referi, tentou equilibrar as listas, enchendo-as de independentes e até de gente ligada à área socialista, procurando também, por esta via, dividi-la ainda mais. A estratégia pareceu-me inteligente e os social-democratas até tiveram a sorte de PS e Paulo Varanda não atacarem Vasco Cunha, ao longo da campanha, de forma a colá-lo ao Governo.
Afinal, as pessoas resolveram aproveitar mesmo as eleições locais para mostrarem um cartão amarelo ao Governo. Isso fez com que a maior parte das candidaturas do PSD apanhassem por tabela e registassem votações muito abaixo do que esperariam. Isso também aconteceu no Cartaxo.
Mas parece-me haver outra razão para o descalabro local dos social-democratas. Ao contrário do que eu próprio esperava, a votação de Paulo Varanda não foi conseguida, em boa medida, à custa do PS. Ao analisar os resultados, verificamos que, aparentemente, terá ido buscar votos a todos os partidos e um dos mais prejudicados até foi o PSD, que perdeu quase 1.100 votos. É evidente que não se pode dizer que houve uma transferência directa de votos da CDU, do Bloco e do próprio PSD para Paulo Varanda, ter-se-ão registado, seguramente, transferências cruzadas e haverá gente que não tinha votado há quatro anos e que foi votar agora. Mas o que é facto é que todos esses partidos (PS incluído) perderam votos e Paulo Varanda arrecadou mais de 2.800.
Terá havido, igualmente, uma tendência para o voto útil. Muitos cartaxeiros que não gostavam de Paulo Varanda e da sua gestão poderão ter olhado ao lado e verificado que a melhor forma de o afastar do poder seria votarem na candidatura que estava estava em melhores condições de o derrotar e optaram pelo PS.
Mas a política (tal como a vida) não deixa de ser irónica. Apesar de ter tido um dos seus piores resultados de sempre nestas eleições, o mandato que se aproxima até pode ser aquele em que o PSD tenha mais influência e deixe a sua marca na governação autárquica. Mas sobre isso falarei num próximo post.
(Opinião, Jorge Eusébio)
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Vencedores e derrotados
(Primeiro de uma série de posts de análise aos resultados eleitorais no Cartaxo)
O grande vencedor das eleições é, obviamente, Pedro Ribeiro que deu mais uma vitória ao Partido Socialista. Embora sem maioria absoluta ganhou umas eleições que não eram fáceis. É certo que o concelho é sociologicamente socialista, mas o surgimento de uma candidatura independente, nascida no seio do próprio PS, deixava antever uma divisão grande na votação. Por outro lado, quer se queira quer não, o PS sempre tem estado no poder no Cartaxo e, portanto, é responsável pela situação terrível que o município atravessa. Quanto mais não seja pelas escolhas que fez. E, portanto, seria normal que fosse, de alguma forma, penalizado.
Afinal, o pior (do ponto de vista de Pedro Ribeiro), acabou por não acontecer. Paulo Varanda conseguiu um resultado que se tivesse sido obtido essencialmente à custa do eleitorado socialista poderia até entregar a Câmara ao PSD. Mas, o seu Movimento acabou por ir 'pescar' votos em várias 'águas' e, inclusivamente, em termos percentuais, até prejudicou mais o PSD do que o PS.
O grande derrotado da noite foi Mário Júlio Reis, que não conseguiu ser eleito para um novo mandato de vereador, em representação da CDU. Costuma-se dizer que o que nasce torto, cedo ou nunca se endireita e, de alguma forma, esse provérbio pode aplicar-se a Mário Júlio que, em Janeiro, disse taxativamente que não seria candidato. Depois, mudou de ideias, aparentemente porque a CDU não arranjava um candidato melhor e lá avançou. Daí para cá, sempre tive a impressão de Mário Júlio estar numa missão de serviço à CDU mas que, intimamente, não se encontrava motivado ao mais alto nível para tentar ser eleito. Na apresentação dos candidatos da CDU fez um discurso de pouco mais de 5 minutos e nos debates na Rádio Cartaxo foi o que menos falou. E daquilo que disse não ficaram, pelo menos na minha memória, argumentos irresistíveis que levassem o eleitorado a nele votar.
Outro dos derrotados foi Vasco Cunha, que via na previsível divisão socialista uma oportunidade única de fazer o PSD chegar ao poder. Ajudou, inclusivamente, a fomentar essa divisão, foi buscar socialistas e muitos independentes para as listas, fez uma campanha sem erros e nem sequer foi muito visado por Paulo Varanda e Pedro Ribeiro, que preferiam atacar-se um ao outro. O resultado da noite eleitoral terá acabado por ser um balde de água fria para Vasco Cunha que, na minha opinião, foi, em boa medida, vítima - a exemplo do que aconteceu com muitas outras candidaturas por esse país fora - da impopularidade do Governo.
Também Francisco Colaço sai destas eleições sem motivos para celebrações. Perdeu mais de 60% dos votos que o Bloco havia conseguido em 2009 para a Câmara e deixa de ter protagonistas no poder local cartaxeiro. Neste caso, a grande 'machadada' foi a decisão dos deputados municipais do Bloco, Pedro Mendonça e Odete Cosme, não serem candidatos. Tinham tido grande destaque ao longo do mandato, assumiram-se como a oposição mais dura à gestão camarária e o lógico era que fossem consequentes e assumissem essa atitude até às últimas consequências, ou seja, indo até às eleições. Não o quiseram fazer, o que deixou o Bloco na situação de fragilidade que teve esta consequência eleitoral.
Igualmente derrotado terá sido Paulo Varanda. É verdade que não teve apoios partidários, mas também não é menos que contou com recursos financeiros bem elevados, tendo em conta o material de campanha que era visível e as iniciativas que desenvolveu. Ainda a seu favor tinha o facto de ser presidente da Câmara, o que lhe dava visibilidade. Vencer era o seu objectivo e não conseguiu, pelo que é um dos derrotados destas eleições. Mas, ainda assim, parece-me ser uma meia-derrota, pois conseguiu um apreciável número de votos, que leva o seu movimento a assumir-se como a segunda força política do concelho. Resta saber agora o que Paulo Varanda vai fazer com estes resultados.
(Opinião, Jorge Eusébio)
| Candidatura socialista na entrega de listas ao Tribunal |
O grande vencedor das eleições é, obviamente, Pedro Ribeiro que deu mais uma vitória ao Partido Socialista. Embora sem maioria absoluta ganhou umas eleições que não eram fáceis. É certo que o concelho é sociologicamente socialista, mas o surgimento de uma candidatura independente, nascida no seio do próprio PS, deixava antever uma divisão grande na votação. Por outro lado, quer se queira quer não, o PS sempre tem estado no poder no Cartaxo e, portanto, é responsável pela situação terrível que o município atravessa. Quanto mais não seja pelas escolhas que fez. E, portanto, seria normal que fosse, de alguma forma, penalizado.
Afinal, o pior (do ponto de vista de Pedro Ribeiro), acabou por não acontecer. Paulo Varanda conseguiu um resultado que se tivesse sido obtido essencialmente à custa do eleitorado socialista poderia até entregar a Câmara ao PSD. Mas, o seu Movimento acabou por ir 'pescar' votos em várias 'águas' e, inclusivamente, em termos percentuais, até prejudicou mais o PSD do que o PS.
O grande derrotado da noite foi Mário Júlio Reis, que não conseguiu ser eleito para um novo mandato de vereador, em representação da CDU. Costuma-se dizer que o que nasce torto, cedo ou nunca se endireita e, de alguma forma, esse provérbio pode aplicar-se a Mário Júlio que, em Janeiro, disse taxativamente que não seria candidato. Depois, mudou de ideias, aparentemente porque a CDU não arranjava um candidato melhor e lá avançou. Daí para cá, sempre tive a impressão de Mário Júlio estar numa missão de serviço à CDU mas que, intimamente, não se encontrava motivado ao mais alto nível para tentar ser eleito. Na apresentação dos candidatos da CDU fez um discurso de pouco mais de 5 minutos e nos debates na Rádio Cartaxo foi o que menos falou. E daquilo que disse não ficaram, pelo menos na minha memória, argumentos irresistíveis que levassem o eleitorado a nele votar.
Outro dos derrotados foi Vasco Cunha, que via na previsível divisão socialista uma oportunidade única de fazer o PSD chegar ao poder. Ajudou, inclusivamente, a fomentar essa divisão, foi buscar socialistas e muitos independentes para as listas, fez uma campanha sem erros e nem sequer foi muito visado por Paulo Varanda e Pedro Ribeiro, que preferiam atacar-se um ao outro. O resultado da noite eleitoral terá acabado por ser um balde de água fria para Vasco Cunha que, na minha opinião, foi, em boa medida, vítima - a exemplo do que aconteceu com muitas outras candidaturas por esse país fora - da impopularidade do Governo.
Também Francisco Colaço sai destas eleições sem motivos para celebrações. Perdeu mais de 60% dos votos que o Bloco havia conseguido em 2009 para a Câmara e deixa de ter protagonistas no poder local cartaxeiro. Neste caso, a grande 'machadada' foi a decisão dos deputados municipais do Bloco, Pedro Mendonça e Odete Cosme, não serem candidatos. Tinham tido grande destaque ao longo do mandato, assumiram-se como a oposição mais dura à gestão camarária e o lógico era que fossem consequentes e assumissem essa atitude até às últimas consequências, ou seja, indo até às eleições. Não o quiseram fazer, o que deixou o Bloco na situação de fragilidade que teve esta consequência eleitoral.
Igualmente derrotado terá sido Paulo Varanda. É verdade que não teve apoios partidários, mas também não é menos que contou com recursos financeiros bem elevados, tendo em conta o material de campanha que era visível e as iniciativas que desenvolveu. Ainda a seu favor tinha o facto de ser presidente da Câmara, o que lhe dava visibilidade. Vencer era o seu objectivo e não conseguiu, pelo que é um dos derrotados destas eleições. Mas, ainda assim, parece-me ser uma meia-derrota, pois conseguiu um apreciável número de votos, que leva o seu movimento a assumir-se como a segunda força política do concelho. Resta saber agora o que Paulo Varanda vai fazer com estes resultados.
(Opinião, Jorge Eusébio)
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Os últimos cartuchos
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
Hoje, estou a queimar os últimos cartuchos. Sinto-me um pouco ansioso e até nervoso, por causa de uma sondagem que nos chegou. Não se trata de uma daquelas marteladas, é uma a sério, feita para consumo próprio e não para fins propagandísticos.
E a verdade é que ela indica que as eleições não são favas contadas. Há uma luta, quase taco a taco, entre mim e o Ramalho. Ainda continuo na frente, muito provavelmente, vou ganhar, mas, quase de certeza, sem maioria absoluta. É um autêntico balde de água fria!
Até às tantas da noite desdobrei-me em telefonemas para dar ânimo ao meu pessoal e coordenar a intensificação da campanha ao longo do dia de hoje. Vamos andar por todas as freguesias com os carros de som e a malta a distribuir propaganda. Ao fim da tarde, arrancamos com uma caravana que tem de ser a maior que já circulou por aí, temos de dar um sinal de força rumo à vitória.
Depois disso, os dados ficam lançados, nada mais há a fazer a não ser tomar uma dose reforçada de Xanax e dormir até às quinhentas. Ao acordar, convém meter uma cunha a todos os santinhos para me ajudarem. Não sou um tipo religioso, mas confesso-me um gajo pragmático e com a decisão em aberto há que reconhecer que toda a ajuda é bem-vinda. Seja ela real ou imaginária.
E até estou disposto, caso o Além atenda às minhas preces, a fazer a promessa sagrada de que serei um bom presidente da Câmara, que olhará apenas e só para o interesse público e não para o seu, do partido, dos amigos e apoiantes. Pronto, está bem, sei que é uma promessa manhosa que, muito provavelmente, não irei cumprir, mas se Deus existe mesmo, sabe perfeitamente como funcionam os políticos e certamente não me levará a mal.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Serviço público
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
A situação financeira da Câmara é catastrófica. Disso se queixam os meus concorrentes e eu próprio. Fartamo-nos de dizer que não há dinheiro para nada e que o município vai andar a pão e água durante muitos anos. Em suma, garantimos que pior do que isto só mesmo o fim do mundo ou, ainda mais grave, a possibilidade do Benfica voltar a perder três títulos em duas semanas.
Mas aqui que ninguém nos ouve, até estou satisfeito por a situação ser esta. Assim que ganhar as eleições e tomar posse vou dizer que é ainda pior. Com esse cenário pintado, ao longo dos próximos dois anos e meio, as associações e juntas de freguesia não me vão chatear a pedir dinheiro nem as pessoas me exigirão qualquer obra de vulto.
Com essa folga, vou resolvendo os problemas financeiros, aos poucos, a situação do país há-de melhorar e começará a entrar algum dinheiro na Câmara. Sem que alguém dê por isso, vou colocando alguma verba de lado e, a ano e meio das eleições seguintes, começo a fazer obra que nunca mais acaba e acabo por ganhá-las com uma perna às costas.
Portanto, oito anos à frente da Câmara já ninguém me tira. O problema é que parece que a lei foi alterada e, ao fim desse tempo, não me vai ser ainda possível ir embora com a reforma garantida.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
A situação financeira da Câmara é catastrófica. Disso se queixam os meus concorrentes e eu próprio. Fartamo-nos de dizer que não há dinheiro para nada e que o município vai andar a pão e água durante muitos anos. Em suma, garantimos que pior do que isto só mesmo o fim do mundo ou, ainda mais grave, a possibilidade do Benfica voltar a perder três títulos em duas semanas.
Mas aqui que ninguém nos ouve, até estou satisfeito por a situação ser esta. Assim que ganhar as eleições e tomar posse vou dizer que é ainda pior. Com esse cenário pintado, ao longo dos próximos dois anos e meio, as associações e juntas de freguesia não me vão chatear a pedir dinheiro nem as pessoas me exigirão qualquer obra de vulto.
Com essa folga, vou resolvendo os problemas financeiros, aos poucos, a situação do país há-de melhorar e começará a entrar algum dinheiro na Câmara. Sem que alguém dê por isso, vou colocando alguma verba de lado e, a ano e meio das eleições seguintes, começo a fazer obra que nunca mais acaba e acabo por ganhá-las com uma perna às costas.
Portanto, oito anos à frente da Câmara já ninguém me tira. O problema é que parece que a lei foi alterada e, ao fim desse tempo, não me vai ser ainda possível ir embora com a reforma garantida.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
OUTRAS AVENTURAS DO CANDIDATO IMAGINÁRIO:
Frases bonitas que não querem dizer nada
Uma campanha limpa e sem ataques pessoais
Frases bonitas que não querem dizer nada
Uma campanha limpa e sem ataques pessoais
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Frases bonitas que não querem dizer nada
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
Esta é a altura da campanha em que nos fartamos de distribuir os folhetos com as fotografias dos nossos candidatos e o essencial do programa para cada freguesia. A técnica é simples. Faz-se um desdobrável A4 ou A5 de quatro páginas. Na primeira, coloca-se a foto do cabeça-de-lista, um slogan e o apelo ao voto na nossa candidatura. Na última, espeta-se as fotos de todos os que fazem parte da lista. É muito importante que não falhe nem uma.
Nas páginas centrais coloca-se mais uma ou duas fotos, normalmente, a do candidato à Junta e a minha e uma frase de cada um. O resto enche-se com texto que se vai buscar a programas de anteriores eleições, pois isto, basicamente, é sempre a mesma lengalenga.
Contudo, este ano, temos que ter um pouco mais de atenção. Como há a possibilidade de ganhar as eleições, convém eliminar qualquer tipo de promessa concreta que tenhamos utilizado nas últimas autárquicas. Em alternativa, garantimos que vamos "promover o progresso", "dinamizar as actividades económicas", "apoiar os mais desfavorecidos" e "potenciar os recursos da Câmara". São frases que caiem sempre bem mas que, felizmente, não querem dizer nada.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
Esta é a altura da campanha em que nos fartamos de distribuir os folhetos com as fotografias dos nossos candidatos e o essencial do programa para cada freguesia. A técnica é simples. Faz-se um desdobrável A4 ou A5 de quatro páginas. Na primeira, coloca-se a foto do cabeça-de-lista, um slogan e o apelo ao voto na nossa candidatura. Na última, espeta-se as fotos de todos os que fazem parte da lista. É muito importante que não falhe nem uma.
Nas páginas centrais coloca-se mais uma ou duas fotos, normalmente, a do candidato à Junta e a minha e uma frase de cada um. O resto enche-se com texto que se vai buscar a programas de anteriores eleições, pois isto, basicamente, é sempre a mesma lengalenga.
Contudo, este ano, temos que ter um pouco mais de atenção. Como há a possibilidade de ganhar as eleições, convém eliminar qualquer tipo de promessa concreta que tenhamos utilizado nas últimas autárquicas. Em alternativa, garantimos que vamos "promover o progresso", "dinamizar as actividades económicas", "apoiar os mais desfavorecidos" e "potenciar os recursos da Câmara". São frases que caiem sempre bem mas que, felizmente, não querem dizer nada.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
Uma campanha limpa e sem ataques pessoais
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
Ontem à noite, fizemos uma reunião da direcção de candidatura para levar a cabo um balanço e definir estratégias para a última semana de campanha. Foi unânime a ideia de que nos mantemos na frente e que temos todas as condições para ganhar as eleições. Tal como esperávamos, duas das candidaturas estouraram autenticamente e mostraram não ser rivais à altura. A única que ainda continua com algum fôlego é a do Ramalho e é com essa que temos de nos preocupar.
Em devido tempo, elaborámos um dossier com os podres todos dele e dos gajos que o acompanham e agora havia que decidir o que fazer com o documento. O meu director de campanha defendeu que devíamos aproveitar as entrevistas, debates e comícios que ainda temos pela frente para os expor publicamente. Uma ideia que contou com muito apoio, o que me deixou numa situação complicada. Tive de usar toda a minha autoridade, prestígio e esgrimir os melhores argumentos que me ocorreram para os convencer a não irem por esse caminho.
Lembrei-lhes que a nossa candidatura é diferente, que fazemos política por convicções e queremos essencialmente acabar com a tradicional maneira porca de a fazer. Portanto, nenhum de nós devia publicamente dizer uma palavra que fosse sobre os 'pecados' daquela gente. Concordaram, sobretudo, depois de lhes lembrar que também nós não somos perfeitos e de certeza que eles sabem disso.
Portanto, vamos manter o rumo e continuar a desenvolver uma campanha séria, limpa, honesta e sem ataques pessoais. E obviamente que não será culpa nossa se o dossier sobre os nossos adversários aparecer, anonimamente, nos e-mails da comunicação social e começar a circular de boca em boca sob a forma de rumores, boatos e insinuações.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
Ontem à noite, fizemos uma reunião da direcção de candidatura para levar a cabo um balanço e definir estratégias para a última semana de campanha. Foi unânime a ideia de que nos mantemos na frente e que temos todas as condições para ganhar as eleições. Tal como esperávamos, duas das candidaturas estouraram autenticamente e mostraram não ser rivais à altura. A única que ainda continua com algum fôlego é a do Ramalho e é com essa que temos de nos preocupar.
Em devido tempo, elaborámos um dossier com os podres todos dele e dos gajos que o acompanham e agora havia que decidir o que fazer com o documento. O meu director de campanha defendeu que devíamos aproveitar as entrevistas, debates e comícios que ainda temos pela frente para os expor publicamente. Uma ideia que contou com muito apoio, o que me deixou numa situação complicada. Tive de usar toda a minha autoridade, prestígio e esgrimir os melhores argumentos que me ocorreram para os convencer a não irem por esse caminho.
Lembrei-lhes que a nossa candidatura é diferente, que fazemos política por convicções e queremos essencialmente acabar com a tradicional maneira porca de a fazer. Portanto, nenhum de nós devia publicamente dizer uma palavra que fosse sobre os 'pecados' daquela gente. Concordaram, sobretudo, depois de lhes lembrar que também nós não somos perfeitos e de certeza que eles sabem disso.
Portanto, vamos manter o rumo e continuar a desenvolver uma campanha séria, limpa, honesta e sem ataques pessoais. E obviamente que não será culpa nossa se o dossier sobre os nossos adversários aparecer, anonimamente, nos e-mails da comunicação social e começar a circular de boca em boca sob a forma de rumores, boatos e insinuações.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
OUTRAS AVENTURAS DO CANDIDATO IMAGINÁRIO
sábado, 21 de setembro de 2013
A guerra dos porcos
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
Afinal, lá realizámos o comício. À última hora, conseguimos contratar um tipo que sabe assar porcos no espeto e, como se esperava, com este problema resolvido, o comício acabou por ser um êxito.
Apareceu muita gente, comeram bem, beberam melhor e cumpriram decentemente o seu papel de aplaudir e agitar bandeirinhas.
No final, foi muito agradável ouvi-los dizer que tinham gostado muito do meu discurso e garantido que iam votar na minha candidatura.
Foi bom e melhor seria se pouco depois não tivesse recebido uma notícia que me deixou e à minha equipa em estado de choque: uma das candidaturas concorrentes estava a preparar uma jogada suja. Como não têm ideias próprias, vão copiar a nossa estratégia e fazer também um grande comício para o qual já encomendaram a brutalidade de... 15 porcos para transformar em bifanas e distribui-las à borla por quem apareça.
Para grandes males, grandes remédios. Dei logo ordem ao Ricardo para organizar outro evento e comprar pelo menos 20 porcos. Vamos rebentar com o orçamento da campanha, mas que se lixe. Sempre quero ver quem consegue os melhores argumentos para convencer o eleitorado.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
Afinal, lá realizámos o comício. À última hora, conseguimos contratar um tipo que sabe assar porcos no espeto e, como se esperava, com este problema resolvido, o comício acabou por ser um êxito.
Apareceu muita gente, comeram bem, beberam melhor e cumpriram decentemente o seu papel de aplaudir e agitar bandeirinhas.
No final, foi muito agradável ouvi-los dizer que tinham gostado muito do meu discurso e garantido que iam votar na minha candidatura.
Foi bom e melhor seria se pouco depois não tivesse recebido uma notícia que me deixou e à minha equipa em estado de choque: uma das candidaturas concorrentes estava a preparar uma jogada suja. Como não têm ideias próprias, vão copiar a nossa estratégia e fazer também um grande comício para o qual já encomendaram a brutalidade de... 15 porcos para transformar em bifanas e distribui-las à borla por quem apareça.
Para grandes males, grandes remédios. Dei logo ordem ao Ricardo para organizar outro evento e comprar pelo menos 20 porcos. Vamos rebentar com o orçamento da campanha, mas que se lixe. Sempre quero ver quem consegue os melhores argumentos para convencer o eleitorado.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
OUTRAS AVENTURAS DO CANDIDATO IMAGINÁRIO
Uma campanha limpa e sem ataques pessoais
O gajo não podia ter adoecido noutra altura?
Uma equipa de gente séria
Sondagens marteladas
Uma campanha limpa e sem ataques pessoais
O gajo não podia ter adoecido noutra altura?
Uma equipa de gente séria
Sondagens marteladas
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
O gajo não podia ter adoecido noutra altura?
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
O comício de logo à noite é muito importante. Por isso, passei as últimas horas a escrever, a ler, a rever e a corrigir o meu discurso.
Com a tarefa concluída, liguei para os restantes elementos da lista que vão, igualmente, dizer umas palavras e fiquei tranquilo. Também eles já haviam preparado as suas curtas intervenções.
O meu interlocutor seguinte foi o Ricardo que me garantiu já ter decorado a sala e ter as bandeirinhas a postos. Óptimo. Saí e fui ao café desanuviar um bocadinho.
Ao regressar, constatei que me havia esquecido do telemóvel, o qual se encontrava numa aflição tremenda. E o caso não era para menos. Definitivamente, o comício estava lixado, o melhor era até cancelá-lo. É que, afinal, o homem que contratámos para assar os porcos teve um problema qualquer de saúde e não pode vir. E o diabo é que, como toda a gente sabe, as ideias e os discursos podem ser muito bonitos, mas se não há bifanas e cerveja à borla, ninguém aparece.
Raios parta esta merda. O gajo não podia ter adoecido noutra altura?
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
O comício de logo à noite é muito importante. Por isso, passei as últimas horas a escrever, a ler, a rever e a corrigir o meu discurso.
Com a tarefa concluída, liguei para os restantes elementos da lista que vão, igualmente, dizer umas palavras e fiquei tranquilo. Também eles já haviam preparado as suas curtas intervenções.
O meu interlocutor seguinte foi o Ricardo que me garantiu já ter decorado a sala e ter as bandeirinhas a postos. Óptimo. Saí e fui ao café desanuviar um bocadinho.
Ao regressar, constatei que me havia esquecido do telemóvel, o qual se encontrava numa aflição tremenda. E o caso não era para menos. Definitivamente, o comício estava lixado, o melhor era até cancelá-lo. É que, afinal, o homem que contratámos para assar os porcos teve um problema qualquer de saúde e não pode vir. E o diabo é que, como toda a gente sabe, as ideias e os discursos podem ser muito bonitos, mas se não há bifanas e cerveja à borla, ninguém aparece.
Raios parta esta merda. O gajo não podia ter adoecido noutra altura?
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
OUTRAS AVENTURAS DO CANDIDATO IMAGINÁRIO:
Ganho pouco
Uma equipa de gente séria
Sondagens marteladas
Ganho pouco
Uma equipa de gente séria
Sondagens marteladas
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Ganho pouco
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
Não sou uma pessoa muito simpática. Por natureza, sou até pouco sociável, um autêntico bicho do mato. Mas ninguém diria, pois sou um mestre na arte de disfarçar os meus sentimentos. Em público mostro-me sempre bem-disposto, aperto as mãos com convicção e um sorriso nos lábios aos homens que se me apresentam pela frente e distribuo beijos sem fim às senhoras.
Também não sou um homem de fé, mas estou sempre batido nas missas, nas procissões e, nesta altura do campeonato, até nos funerais.
Não percebo nada de economia, mas quem me ouve falar durante dois minutos fica, imediatamente, convencido da minha competência na matéria e que tenho as soluções mágicas para resolver a grave situação financeira da Câmara e, quiçá, do próprio país.
Modéstia à parte, sou um excepcional actor. Por isso é que me revolto sempre que ouço tiradas populistas do género dos políticos ganharem demasiado. Admito que isso seja verdade em relação a alguns colegas, mas, no que me diz respeito, acho que recebo infinitamente menos do que mereço. E é fácil fazer as contas. Comparados comigo, o Robert de Niro e a Julia Roberts são actores fraquinhos ou, vá lá, de talento mediano. E se exigem uns cinco ou seis milhões de dólares por cada filme que protagonizam, eu deveria ganhar, pelo menos, aí uns 10 milhões por cada campanha eleitoral que faço.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
Não sou uma pessoa muito simpática. Por natureza, sou até pouco sociável, um autêntico bicho do mato. Mas ninguém diria, pois sou um mestre na arte de disfarçar os meus sentimentos. Em público mostro-me sempre bem-disposto, aperto as mãos com convicção e um sorriso nos lábios aos homens que se me apresentam pela frente e distribuo beijos sem fim às senhoras.
Não percebo nada de economia, mas quem me ouve falar durante dois minutos fica, imediatamente, convencido da minha competência na matéria e que tenho as soluções mágicas para resolver a grave situação financeira da Câmara e, quiçá, do próprio país.
Modéstia à parte, sou um excepcional actor. Por isso é que me revolto sempre que ouço tiradas populistas do género dos políticos ganharem demasiado. Admito que isso seja verdade em relação a alguns colegas, mas, no que me diz respeito, acho que recebo infinitamente menos do que mereço. E é fácil fazer as contas. Comparados comigo, o Robert de Niro e a Julia Roberts são actores fraquinhos ou, vá lá, de talento mediano. E se exigem uns cinco ou seis milhões de dólares por cada filme que protagonizam, eu deveria ganhar, pelo menos, aí uns 10 milhões por cada campanha eleitoral que faço.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Uma equipa de gente séria
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
Tenho um grande orgulho na minha equipa que bate, de longe, as de todas as outras candidaturas. É, para começar, a mais representativa. Temos pessoas de todas as freguesias, ligadas às colectividades, aos clubes, à vida comunitária e cultural. Temos candidatos de todos os estratos etários, dos 18 aos 85 anos! Temos representantes de todas as classes sociais: gente abastada, empresários de sucesso, doutores, engenheiros, mas também pedreiros, carpinteiros e desempregados. Tudo gente séria, que está nesta equipa de forma desinteressada, por amor à terra, para tentar melhorar o ambiente, os espaços verdes, a educação, o trânsito, para ajudar a trazer empresas e empregos para o concelho. É gente que me enche de orgulho. Muita gente, mesmo. No total, julgo que serão mais de uma centena. Com a ajuda de tantos esforçados cidadãos, não tenho dúvidas que vou ganhar as eleições. O pior vai ser depois, quando começarem a bater-me à porta para pedir uns tachos para eles, para os filhos, para os sobrinhos, para as mulheres ou para as amantes…
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
Tenho um grande orgulho na minha equipa que bate, de longe, as de todas as outras candidaturas. É, para começar, a mais representativa. Temos pessoas de todas as freguesias, ligadas às colectividades, aos clubes, à vida comunitária e cultural. Temos candidatos de todos os estratos etários, dos 18 aos 85 anos! Temos representantes de todas as classes sociais: gente abastada, empresários de sucesso, doutores, engenheiros, mas também pedreiros, carpinteiros e desempregados. Tudo gente séria, que está nesta equipa de forma desinteressada, por amor à terra, para tentar melhorar o ambiente, os espaços verdes, a educação, o trânsito, para ajudar a trazer empresas e empregos para o concelho. É gente que me enche de orgulho. Muita gente, mesmo. No total, julgo que serão mais de uma centena. Com a ajuda de tantos esforçados cidadãos, não tenho dúvidas que vou ganhar as eleições. O pior vai ser depois, quando começarem a bater-me à porta para pedir uns tachos para eles, para os filhos, para os sobrinhos, para as mulheres ou para as amantes…
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Sondagens marteladas
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
Com as eleições a aproximarem-se, já cá faltava a clássica jogada das sondagens
marteladas. Um dos nossos adversários anda por aí a espalhar aos quatro ventos
que tem uma que lhe dá maioria absoluta. Esta gente, ao fim de quase 40 anos de
democracia, ainda não aprendeu nada. Como se as pessoas ainda caíssem neste
embuste. Uma candidatura que não tem equipas minimamente dignas, que não tem
ideias, não tem projectos, enfim, que não tem nada… Como se não estivesse na
cara que se ficar em quarto lugar já é muito bom. Agora, pagarem uma
pseudo-sondagem que lhes dá a vitória não lembra ao diabo.
Isto é um tipo de jogada que podia resultar há 10 ou 20 anos atrás. Mas
agora? Pelo amor de Deus, as pessoas já não são parvas! Mas, pelo sim, pelo
não, vou já encomendar uma que também me dê maioria absoluta.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
OUTRAS AVENTURAS DO CANDIDATO IMAGINÁRIO
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
O raio da Comissão Nacional de Eleições é que não deve ir na conversa
DIÁRIO DE UM CANDIDATO IMAGINÁRIO (*)
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
Acabei de vir de uma acção de campanha que correu bastante bem. A
adesão às nossas propostas é cada vez maior, pelo que conseguimos despachar
muito rapidamente todos os isqueiros, balões, bonés, t-shirts e canetas que
tínhamos para oferecer.
Com essa parte resolvida, abancámos num restaurante e aproveitámos para
ver a bola na televisão. Ao longo das horas seguintes, entre uma garfada de
cozido à portuguesa e um copo de bom vinho da adega local, fomos comentando os
erros do árbitro, discutindo sobre se o bom arranque do Sporting é um acidente
e se, no Benfica, o Jesus consegue chegar ao Natal. Foi uma boa jornada de
trabalho em que se falou de tudo menos de política, o que, nesta altura do
campeonato, sabe bastante bem.
Minto. No final, já na rua, e à procura do carro, ainda trocámos
impressões sobre duas ou três formas de lixar os anormais dos nossos
concorrentes. E o Rui, sob o efeito do álcool, saiu-se com uma parvoíce das
suas, o que não é de espantar. Dizia ele que é um desperdício andar a oferecer
t-shirts e demais traquitanas às pessoas sem exigir nada em troca. Devia-se era
gastar o dinheiro numa dúzia de computadores portáteis ou tablets para sortear
depois das eleições entre os que votassem em nós. “E como é que se conseguia
saber isso?”, perguntou o Xico. “Muito simples”, respondeu o outro, “após fazerem a cruz, as pessoas fotografavam, com o telemóvel, o boletim de voto que
depois apresentavam como prova”. Toda a gente se riu do gajo, mas, agora,
pensando bem, era capaz de não ser má ideia. O raio da Comissão Nacional de
Eleições é que não deve ir na conversa.
*Este é um texto de ficção. Qualquer eventual semelhança com personagens e eventos reais é mera coincidência.
OUTRAS AVENTURAS DO CANDIDATO IMAGINÁRIO
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