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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Freguesias vão a tribunal lutar pela sua 'independência'


 As quatro freguesias do concelho do Cartaxo afectadas pelo processo de reorganização administrativa vão interpor uma acção judicial para impugnação da lei que determinou a sua agregação. Essa decisão foi comunicada pelos presidentes das freguesias do Cartaxo, Vale da Pinta, Ereira e Lapa ao presidente da Câmara, no decorrer de uma reunião que teve lugar na quarta-feira. Paulo Varanda diz concordar com a decisão e tenciona "dar o maior apoio à iniciativa", até porque "já há muito que venho afirmando que é preciso que esta lei, feita nos gabinetes da Assembleia da República, por quem não conhece o país, seja impedida de entrar em vigor. Eu próprio teria tomado esta iniciativa, mas fico ainda mais agradado por ela estar a ser tomada por quem está ainda mais próximo das pessoas”.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ainda há locais com falta de electricidade

Ficaram ontem resolvidos muitos dos problemas de falta de energia eléctrica no concelho do Cartaxo. No entanto, ainda há algumas situações por resolver, essencialmente nas freguesias da Lapa, Ereira e Pontével. Há casos em que uma casa tem energia e outra ao lado, não, e até algumas casas que numas salas têm luz e outras não têm.
Em declarações à Rádio Cartaxo, o presidente da freguesia de Pontével, José António Sobreira, lamentou a falta de diálogo que diz haver da parte da EDP. Entende que, enquanto a situação não volta ao normal,  seria relativamente simples resolver muitos dos problemas, por exemplo, 'puxando' energia eléctrica de uns locais para outros. Outra das questões que coloca é a de saber quem paga os prejuízos que cidadãos e empresas têm tido pelo facto da EDP ter demorado demasiado tempo a repor a energia eléctrica.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sem electricidade desde Sábado

Uma parte da população do concelho do Cartaxo está sem electricidade desde Sábado. Os mais afectados têm sido os moradores dos Casais da Amendoeira, Casais Lagartos, Casais Penedos, Casais Luíses (freguesia de Pontével) e também alguns das freguesias da Ereira e de Vale da Pedra (zona da Cruz do Campo). Hoje, por volta das 11 da manhã, houve um problema que deixou toda a freguesia da Ereira sem luz, uma situação que, entretanto, foi parcialmente resolvida.
Quanto ao fornecimento de água, a Cartagua diz ter todos os sistemas em funcionamento, recorrendo à utilização de geradores para bombear água nos locais onde a rede eléctrica não está a funcionar.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Lapa e Ereira às escuras

Nesta altura, as freguesias da Lapa e da Ereira estão praticamente às escuras. A situação agravou-se a partir das 5 da tarde, com uma avaria numa sub-estação da EDP. Até aí apenas uma parte da população estava afectada, mas agora, segundo contactos efectuados com os presidentes das juntas locais, o problema atinge quase por completo aquelas freguesias. Há água nas torneiras, mas se a energia eléctrica continuar a falhar, dentro de algum tempo, esse fornecimento também será afectado. Nalgumas zonas das outras freguesias do Cartaxo continuam, igualmente, a registar-se problemas com o fornecimento de energia eléctrica. Entretanto, já está aberta a estrada que liga Valada à Ponte Rainha D. Amélia.

sábado, 24 de novembro de 2012

Todos contra a fusão de freguesias

Nos últimos dias têm-se multiplicado, no concelho do Cartaxo, as reuniões abertas para levar à população informação sobre o processo de reorganização de freguesias e debater acções de protesto. A ser aprovada pelos deputados a proposta que está em cima da mesa, o concelho vai passar de 8 para 6 freguesias. Vale da Pinta junta-se ao Cartaxo e a Ereira fica agregada à Lapa.
Nesta altura já se realizaram sessões na Ereira, Vale da Pinta, Lapa, Vale da Pedra e Cartaxo, e duas outras de âmbito partidário (PS e CDU) mas também abertas a todos os que nelas quisessem participar. Destes encontros resultou o aparecimento de abaixo-assinados em cada uma das freguesias, a que se vai juntar um outro de todo o concelho, que tem como objectivo ser assinado por 4 mil pessoas e assim converter-se numa petição que obrigará os deputados a terem de o debater.

Vale da Pedra
Ereira
Vale da Pinta
Lapa
Cartaxo

domingo, 18 de novembro de 2012

A arte de construir chocalhos


A crise está a fazer com que algumas actividades e profissões praticamente desaparecidas estejam a ser recuperadas. Na freguesia da Ereira (concelho do Cartaxo), deparámo-nos com um desses casos. Artur Silva e Luciano Jesus recuperaram a arte de produzir chocalhos. Uma arte que tem muito que se lhe diga.
Na base de todo o processo está um simples rectângulo de metal. Luciano pega nele e, à força de muitas marteladas, acaba por moldar-lhe a forma pretendida. Depois, embrulha-o em papel e envolve-o numa massa feita de barro e palha, seguindo-se o necessário processo de secagem. O chocalheiro repete o processo dezenas de vezes ao dia. Ao fim de várias semanas estão, finalmente, criadas condições para se avançar para a fase da fundição, para o que é necessário dar uso ao forno. O seu aquecimento “leva duas horas”, o que implica um gasto substancial de gás. Daí que, por uma questão de rentabilização, apenas seja ligado uma vez por mês, quando já há muitas centenas de chocalhos de diversos tamanhos prontas para serem sujeitas a temperaturas na ordem dos 1200 graus centígrados.
Esse é o dia de trabalho mais longo de cada mês para si, para Artur Silva e os três outros amigos que os ajudam na tarefa. A jornada começa logo pelas quatro horas da madrugada e dura até às seis, sete horas da tarde do dia seguinte. Depois de fundidos, os chocalhos são retirados do forno por Luciano, envergando um fato, máscara e luvas anti-fogo, que os seus colegas, na brincadeira, dizem ser de astronauta.
Mas ainda são várias as fases pelas quais os chocalhos terão de passar antes de estarem prontos para seguirem o seu caminho e cumprirem a missão para a qual são construídos. Mal são retirados do forno, têm de ser continuamente “rebolados no chão” durante alguns minutos “para não coalhar no mesmo sítio”, após o que são mergulhados na água. Parte-se, então, a massa que envolve os chocalhos, os quais são, posteriormente, polidos. Com mais umas leves marteladas, Luciano dá-lhes a afinação de som, coloca-lhes o badalo e o processo fica, finalmente, concluído.
   Produzir chocalhos era uma ideia que Artur Silva tinha já há algum tempo. Aprendeu com o pai a arte da correaria e pretendia acrescentar os chocalhos ao lote de produtos que tinha disponíveis para os seus clientes. Mas o problema é que não possuía conhecimentos técnicos para construí-los. Até que conheceu Luciano Jesus, cuja família estava ligada ao ramo: “os meus avós foram chocalheiros, o meu pai não seguiu, eu aprendi com um amigo da família e já levo uns 14 anos de profissão”. Recebeu o convite de Artur Silva e largou o seu Alentejo para vir para a Ereira produzir chocalhos. Começaram há cerca de quatro meses e, como a concorrência não aperta, pois já há pouca gente a produzir este tipo de produtos, clientela não tem faltado. Vendem para todo o país e até para Espanha, dando completo escoamento à produção. Artur Silva diz que até nem têm ido muito à procura de novos clientes, uma vez que “a produção ainda é pequenina, mas estamos a tentar mecanizar um pouco mais o processo” para conseguirem passar para um nível de produção mais avançado.


(Reportagem publicada no jornal O Povo do Cartaxo de 12 Outubro 2012)