sábado, 17 de maio de 2014

Azambuja prepara mais uma Feira de Maio




A Centenária FEIRA DE MAIO está de regresso à Vila de Azambuja, entre 29 de Maio e 02 de Junho. Destaque para o dia inaugural – 5ªfeira de Ascensão, feriado municipal – dinamizado pelas tertúlias e para a tradicional Noite da Sardinha Assada (6ªfeira).



A festa arranca na Quinta-feira (29), dia dedicado às Tertúlias. Entre outras actividades, pelas 13 horas, o Jardim Urbano da vilarecebe o almoço convívio das Tertúlias. Às quatro da tarde, há o desfile das tertúlias, com as suas largas dezenas de membros envergando camisolas e lenços bem garridos.

A inauguração oficial da feira está marcada para as 17 horas, na Praça do Município. À cerimónia, juntam-se campinos, a fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Azambuja e os elementos das tertúlias. Segue-se a abertura, no Campo da Feira, do pavilhão do Artesanato e das Actividades Económicas e da “Praça das Freguesias” que volta a concentrar atenções ao longo dos 5 dias da Feira de Maio. Esta praça assume-se como o grande palco da  gastronomia regional e da animação, com toda a riqueza cultural de cada uma das agora sete Freguesias do Concelho de Azambuja. As tasquinhas estarão a cargo de diversas associações e instituições de solidariedade, e de Sexta-feira a Segunda-feira estarão abertas entre o meio-dia e as 24 horas.

O primeiro dia de toiros pelas ruas da vila acontece às 19h00. Segue-se um concerto com a fadista Joana Amendoeira, no Páteo Valverde, à meia-noite. Este dia encerra com a Mesa da Tortura, prova de resistência e bravura na Praça de Toiros Dr. Ortigão Costa.



A Sexta-feira (30) continua a constituir um dos maiores cartazes da Feira de Maio, com a Noite da Sardinha Assada. Tudo começa às 21h00, com o cortejo de campinos com o gado pelas ruas da Vila à luz de archotes, seguido da habitual largada de toiros. A partir da meia-noite acontece a distribuição gratuita de sardinhas, pão e vinho nos Largos do Rossio, da Fonte de Santo António, de Palmela, dos Pescadores e também na Praça do Município. Na noite mais animada não faltarão o fado vadio, a música itinerante e vários arraiais até ao romper do dia. Às duas e meia da madrugada, actua Ruth Marlene na Praça do Município.



Sábado (31) é o Dia do Cavalo. Às 10h30, haverá aulas práticas de equitação na Praça do Município. Na Várzea do Valverde, a partir das 14h00 decorre a admissão a concurso de Modelo e Andamentos – Classe Éguas Afilhadas – Puro sangue lusitano; de seguida, às 15 horas, os campinos mostram todas as suas capacidades nas provas de campo, com a condução de Jogos de Cabrestos, Condução de Cabresto e Prova de Perícia. A animação da noite terá uma romaria a cavalo pelas tertúlias da vila, às 21h30, e a Mesa da Tortura, na Praça do Município, às duas da madrugada. O cabeça de cartaz desta noite será o cantor Iran Costa, que actuará na Praça do Município, quando for meia noite.

Na manhã de Domingo (1 de Junho), Dia do Campino, vive-se o momento mais solene, a tradicional Homenagem ao Campino, na Praça do Município, pelas 09h30. Todos os campinos veem o seu valor reconhecido na figura de um dos campinos que dedica a sua vida aos cavalos e aos toiros e há mais anos colabora na Feira de Maio. Este ano, o homenageado será o Campino José Manuel Abreu Mendes. Destaque, igualmente no domingo, para a tradicional Corrida de Toiros à Portuguesa, pelas 17h00, na Praça de Toiros Dr. Ortigão Costa. Actuarão os cavaleiros Rui Salvador, Paulo J. Santos e Duarte Pinto, e os forcados amadores de Azambuja, do Ribatejo e de Arruda dos Vinhos.


Na última manhã da feira, Segunda (2 de Junho), os alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico do concelho participam em várias actividades e enchem as ruas com a sua animação e alegria na iniciativa “Feira na Vila”. Às cinco da tarde, antes da última espera de toiros, procede-se à entrega de prémios às melhores ornamentações de largos, janelas ou fachadas, e montras, na Praça do Município.



Um último destaque para as largadas de toiros, diárias, que constituem um dos principais ingredientes da festa. Quinta-feira, às 19h00; sexta-feira, a grande nocturna, às 22h00; sábado, às 18h30; domingo, às 10h30; e a última, segunda-feira, às 18h30.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Isto agora é que vai ser bom


Apesar de não parecer, a economia portuguesa está por aí com uma pujança louca. A ponto de, só a parte que diz respeito ao mar, se preparar para criar 7 milhões de postos de trabalho!!! Mas atenção: a coisa só vai funcionar se a coligação PSD/CDS ganhar as eleições europeias.

Quero o meu dinheiro de volta



Há uns meses tive de comprar uns óculos novos. Custaram-me os olhos da cara mas teve de ser, pois já quase não via nada com os outros.
Mas parece-me ter sido enganado. É certo que vejo bem a curta e média distância. Mas o problema é quando olho a maiores distâncias. Para o país, por exemplo. Por mais que me esforce, não consigo enxergar a tal saída limpa que Portas, Passos e Cavaco nos apontam com tamanho entusiasmo. Nem os fantásticos sucessos que ela representa.
É claro que não duvido da palavra de tão ilustres estadistas. O problema só pode ser do raio dos meus óculos. Acho que vou pedir de volta o dinheiro que dei por eles.

(Opinião - Jorge Eusébio)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Democratas com costela ditatorial

Ultimamente, anda por aí a aparecer muito a costela ditatorial de certos democratas.
Como se sabe, nesta espécie de democracia é possível aos cidadãos votarem. Se assim o entenderem, claro. O problema é que há cada vez mais gente a exercer o seu democrático direito de não ir votar. Em vez de se procurar perceber as causas dessa situação, começou a ser defendida uma solução de gente esperta, por alguns peixes graúdos da nossa... vá lá... democracia.
Depois de longas, profundas e sábias reflexões, esta malta chegou à conclusão de que só há muita abstenção porque esta é uma democracia mole. Ou seja, deixa ao critério de cada um, veja-se só, a possibilidade de ir ou não votar. Ora se se tornar o voto obrigatório já se acaba com a abstenção e fazemos um figurão entre os países europeus.
Estes heróis da democracia não dizem é como é que se castigaria os criminosos que não obedecessem a tão democrática lei. Provavelmente, só para avisar, numa primeira vez que não fossem votar, apanhariam uma valente multa para ajudar a combater o défice. A partir daí, se resolvessem repetir a gracinha, iriam de cana, imagino eu, que é para aprenderem a não pôr em causa a nossa bela democracia.
Enfim, não acho mal de todo, mas parece-me um plano ainda um bocado tosco. Para além de obrigarem as pessoas a ir votar à força - se calhar, até escoltadas por militares da GNR - também podiam obrigá-las a votar no partido A, B ou C. Para confirmar que tudo era feito como manda a lei, havia que colocar um senhor a fazer um exame prévio do voto de cada um, antes do mesmo ser colocado na urna.
Tudo a bem da democracia, claro.

PS: Por uma questão de igualdade de tratamento, acho bem que também os mortos fossem abrangidos por esta lei democrática. Pelos menos, os mortos que ainda estão inscritos nos cadernos eleitorais, que, ao que consta, são mais que as mães.

(Opinião, Jorge Eusébio)

sábado, 10 de maio de 2014

Fúria Vermelha

Antes de mais um derby, aqui ficam alguns dos momentos de um embate Benfica-Porto, com relato e tudo.

Desfile da Feira de Magos





Momentos do desfile inaugural da Feira de Magos, em Salvaterra de Magos, que se desenvolve até ao dia 18.

Coisas que detesto

1) Fazer a barba.
2) Andar com a barba por fazer.

3) Cortar as unhas do pés.
4) Sentir que as unhas dos pés estão demasiado grandes.

5) Lavar a loiça.
6) Não encontrar o raio de um prato lavado, onde colocar o almoço.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Palavra de político


Telefonei a cada um deles a desculpar-me muito, mas que por razões imprevistas não poderia dar-lhes, para já, o tacho prometido. E acrescentava que, obviamente, continuava a contar com eles e que depois de pôr a Câmara na ordem, haveria de se encontrar uma alternativa.

Do outro lado ouvi um pouco de tudo: críticas, choros, insultos e até ameaças de ordem física. E, curiosamente, no fim, quase todos desabafaram ter ficado muito desiludidos comigo, pois pensavam que fosse um homem de palavra.

Foi difícil, mas arrumei este assunto. E até fico satisfeito por não os ter escolhido para a equipa. Não me ia safar a ter a trabalhar para mim gajos que acham que os políticos devem ser homens de palavra e cumprir as suas promessas. Do que eu me safei!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O objecto mais inútil do Mundo

Este é capaz de ser o objecto mais inútil existente à face da terra. É um daqueles supostos secadores eléctricos de mãos que encontramos em qualquer casa-de-banho pública. A gente coloca as mãos molhadas debaixo dele até se cansar e acabar por as limpar nas calças.
Mas, entretanto, demos dinheiro a ganhar à EDP, à empresa que vende os equipamentos e, claro, a quem tem a patente, que deve estar podre de rico.
Eu também gostava de conseguir criar coisas inúteis que me tornem milionário. Mas, infelizmente, não sou suficientemente talentoso.

Gala à Antiga Portuguesa

Este é o vídeo da Corrida de Touros à Antiga Portuguesa do ano passado no Cartaxo. Este ano, a 20 de Junho, a cidade vai receber mais uma corrida do género nas suas Festas.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Uma esquadra com problemas de identidade

No Cartaxo há uma esquadra da PSP fantástica, única no país.
Quer dizer, levou uma série de anos a ser construída e ainda está fechada, mas só pode ser fantástica. É que já foi inaugurada por um presidente de Câmara e agora vai ser novamente inaugurada, e por um ministro. Quanta honra!
Mas, ainda assim, tenho pena da famosa esquadra, pois é possível que a desgraçada venha a ter problemas de identidade quando crescer e inclusivamente a ver-se obrigada a contratar um psicólogo. É que não vai saber se nasceu em 15 de Setembro de 2013 ou em 20 de Maio de 2014. E pior ainda, fica na dúvida sobre quem será o seu verdadeiro pai: o ex-presidente da Câmara do Cartaxo, Paulo Varanda, ou o actual ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

(Opinião - Jorge Eusébio)

Moeda ao ar

Como não esperava ganhar as eleições, receio ter cometido algumas imprudências, ao longo da campanha eleitoral.
Por exemplo, ofereci o cargo de chefe de gabinete da presidência ao Chico. E também ao Vicente. E, se não me engano, também ao Ribeiro e ao Costa.
Se a memória não me falha, igualmente garanti o lugar de adjunto a, pelo menos, outros cinco dedicados apoiantes.
Bom, agora lá vou ter de resolver o problema, que remédio. Depois de intensa reflexão sobre quais os candidatos com melhores capacidades para desempenhar, fiquei na mesma. Acabei por resolver o problema pelo científico e infalível método da moeda ao ar. Ganhou o Vicente.
Agora, há que tentar arranjar um cargozito menos importante e lucrativo para alguns dos outros e arranjar boas e inúteis desculpas para atirar os outros pela borda fora.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Estou lixado, ganhei as eleições

Acabei por ganhar as eleições por uma unha negra. A margem foi tão pequena que a oposição até exigiu a recontagem dos votos. Confirmada a vitória, a minha malta quase estourava de alegria. Foi uma loucura, algo nunca visto no concelho, nem sequer faltaram os foguetes. Todos viviam um momento inesquecível. Todos, menos eu.
Francamente, nunca me passou pela cabeça ganhar estas eleições autárquicas.
Só fui candidato por dever de lealdade partidária. Por duas vezes, o secretário-geral do partido fez questão de se encontrar pessoalmente comigo para me convencer a avançar. Fez-me ver que não tinha mais ninguém que garantisse um bom resultado no concelho. Apelou ao meu amor pelo  partido e assumiu que ficaria em dívida para comigo se resolvesse ser candidato.
Fui resistindo o mais possível, até que, por dever de lealdade partidária, resolvi avançar. Por isso e por, na segunda reunião, ele me ter garantido um lugar elegível na lista para o Parlamento Europeu.
E, afinal, sem saber ler nem escrever, acabei por ganhar as eleições autárquicas. Durante pelo menos quatro anos vou ser o senhor presidente desta terreola de fim-do-mundo, em vez de seguir viagem para a civilizada Bruxelas. Raios partam isto. Mais uma vez se confirma que não tenho sorte nenhuma na puta da vida. Ganhei as eleições. Estou lixado!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um escândalo


No Cartaxo realizou-se uma Festa do Vinho. Até aí, tudo bem. Garrafas de tintos, brancos e rosés à disposição dos visitantes que tivessem uns eurozitos para comprá-las. Óptimo. Provas enogastronómicas. Melhor ainda. E, nas tasquinhas, petiscos para ajudar a mandar abaixo o precioso líquido e, no palco, animação musical a acompanhar.
Parecia o melhor dos mundos e era quase. A não ser por um pequeno pormenor. Então não é que nas tasquinhas também se podia vender sumos, refrigerantes e, imagine-se, até água… Um escândalo!

(Opinião - Jorge Eusébio)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Assim já dá gozo

Os dirigentes e deputados do CDS são uns desgraçados, fartam-se de sofrer. Enfim, alguns deles, como, por exemplo, o próprio Paulo Portas. Vê-se que os homens nasceram para estar na oposição, o seu talento é oporem-se a quem governa. Daí que seja um sacrifício para estas almas terem o CDS no governo. Felizmente que é o partido minoritário e, por isso, para não perderem o hábito, semana sim, semana não, vão fazendo oposição a quem é suposto mandar no governo, o PSD. Mas, mesmo isso não lhes enche a alma. Fazer oposição selectiva dá trabalho, é chato. É mais fácil pegar na bazuca e disparar a eito contra todos os que estão no poder.
Deve ter sido esse o pensamento do deputado centrista João Almeida ao, a pretexto de uma proposta de limitação de animais em apartamentos, atacar a ministra da Agricultura, que, por acaso, é sua colega de partido.
Na altura em que escrevo este texto, Paulo Portas apresenta o programa de reforma do Estado. Espero que João Almeida não me desiluda e venha rapidamente criticar o seu chefe de partido. Quanto mais não seja pela forma chata como faz a apresentação.

(Opinião, Jorge Eusébio)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

E agora?

(Quarto de uma série de posts de análise aos resultados eleitorais no Cartaxo)

Os eleitores do Cartaxo deram a vitória ao PS, mas com maioria relativa. Isso significa que o PS terá de encontrar apoios para levar a cabo o seu programa.
Olhando para a Câmara, verificamos que foram eleitos 3 elementos do PS, 2 do Movimento pelo Cartaxo e outros 2 do PSD. Em face deste cenário como é que pode ser assegurada a governabilidade?
Para alguém que acompanhou a política cartaxeira ao longos do último ano, a resposta não tem dificuldade nenhuma. Terá de ser através de um entendimento entre o PS e e PSD. É que, depois do que disseram um do outro e do clima de conflitualidade que rodeou as relações entre Pedro Ribeiro e Paulo Varanda, não passa pela cabeça de ninguém (embora, como se sabe, em política tudo seja possível) agora entenderem-se os dois.

Uma das hipóteses é que o entendimento entre o PS e o PSD possa tomar a forma de uma coligação oficial e abrangente, que inclua todos os órgãos autárquicos. A segunda possibilidade é que se opte por acordos pontuais, negociados caso a caso.
Do ponto de vista da governabilidade do concelho, numa altura em que há problemas muito graves para resolver, seria preferível um acordo formal e global. PS e PSD juntos assegurariam a maioria não só na Câmara, como na Assembleia Municipal e ainda em quatro das seis freguesias (União Cartaxo/Vale da Pinta; União Ereira/Lapa; Vale da Pedra e Vila Chã de Ourique). Seria, assim, possível aos autarcas eleitos trabalharem com tranquilidade e colocarem a sua atenção e empenho na busca das melhores soluções e não na negociação política de cada uma das propostas.

No entanto, não acredito que se avance para uma coligação. Para o PSD seria uma opção muito arriscada. Pela positiva, tinha, finalmente, a possibilidade de deixar a sua marca no concelho, uma vez que os seus eleitos passariam a ter pelouros e responsabilidades executivas. Mas o problema é que deixaria toda a oposição para Paulo Varanda e o Movimento pelo Cartaxo. Corria, pois, o risco de, nas próximas autárquicas, quem concordasse com a forma como o concelho foi governado votasse no PS (o principal partido da 'coligação') e os outros dessem a sua confiança ao partido da oposição, o Movimento pelo Cartaxo, ficando o PSD numa posição irrelevante.

Portanto, acho que os social-democratas vão mostrar disponibilidade para ajudar na governabilidade do concelho, mas com negociações caso a caso e impondo condições ao PS. Como não acredito que os dois partidos estejam interessados em provocar eleições antecipadas, nos primeiros tempos, com maior ou menor dificuldade, penso que os problemas serão ultrapassados. A partir do meio do mandato, com os olhos já colocados nas próximas eleições, é que as coisas podem complicar-se.

(Opinião, Jorge Eusébio)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A origem dos votos de Paulo Varanda

(Terceiro de uma série de posts de análise aos resultados eleitorais no Cartaxo)

Ao longo da campanha eleitoral sempre pensei que a esmagadora maioria dos votos que Paulo Varanda e o Movimento pelo Cartaxo iriam conseguir seria à custa do Partido Socialista. À primeira vista, uma análise aos resultados indica que é capaz de não ter sido bem assim. Recordo que, em comparação com 2009, o PS perdeu 1249 votos, o PSD 1097, a CDU 383 e o Bloco de Esquerda 529. Sendo que Paulo Varanda obteve 2821, poder-se-ia concluir que foi buscar um grande número de votos a todos os quadrantes. E, se calhar, até foi.

No entanto, continuo convencido que a grande maioria dos seus votos foi 'roubada' ao PS. Primeiro, porque se olharmos para as pessoas que constituíram o núcleo-base de Paulo Varanda eram quase todas da área socialista e não acredito que não tenham conseguido trazer consigo muitos votos.
Depois, porque me parece pouco lógico que das candidaturas do Bloco e da CDU tenham saído quase mil votos para Paulo Varanda e que o mesmo destino tenha tido a esmagadora maioria dos quase 1100 que o PSD viu fugir.

Parece-me mais razoável pensar que tenha havido uma transferência de, digamos, para aí uns 2000 votos do PS para Paulo Varanda e que os restantes tenham vindo da abstenção e umas centenas, sim senhor, do PSD e eventualmente umas dezenas da CDU e, até, do Bloco. Mas, nestes dois últimos casos, em número bastante reduzido.

Depois, terá havido uma fuga de votos do PSD para o PS por dois motivos essenciais. Por um lado, gente que há 4 anos votou nos social-democratas mostrou-se agora desiludida com o Governo e resolveu mostrar-lhe o cartão amarelo desta forma. A outra razão prende-se com o voto útil. Muitos eleitores que não gostam de Paulo Varanda e da sua governação e que, eventualmente, terão votado PSD em 2009, agora optaram por dar o seu voto ao PS por pensarem ser o partido que estaria em melhores condições de vencer as eleições e derrotar o actual presidente da Câmara. O mesmo fenómeno do voto útil terá afectado, igualmente, a CDU e, em maior escala, o Bloco de Esquerda. 
Enfim, pelo menos, é esta a análise que faço dos resultados eleitorais e que pode estar completamente errada, como é óbvio.

(Opinião, Jorge Eusébio)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O que aconteceu ao PSD?

O PSD/Cartaxo tinha quase tudo para ser feliz no dia das eleições. Estou no concelho há poucos anos, mas pessoas que há muito tempo acompanham a política e em cuja opinião confio dizem-me que apresentou das listas mais equilibradas de sempre. Foi também visível que fez uma campanha organizada e com cabeça, tronco e membros.
Mas, mais importante do que isso, tinha os seus rivais socialistas divididos em duas candidaturas, o que lhe dava a esperança de, eventualmente, poder ganhar as eleições, mesmo não tendo mais votos do que em 2009. Na base desta expectativa estava a ideia de que a esmagadora maioria dos votos que Paulo Varanda e o seu movimento conseguissem seriam votos retirados ao PS. E imaginemos que dos 2.281 votos que o ainda presidente de Câmara conseguiu, aí uns 75% tivessem realmente sido 'roubados' ao PS. Isso significaria que Pedro Ribeiro ficaria com menos de 3.300 votos. Ora tendo em conta que o PSD em 2009 obteve 3.309, estaria na luta pela vitória.

Um cenário que não se concretizou, acabando os social-democratas por ter um péssimo resultado. O que é que aconteceu?
Para responder a essa pergunta, convém regressar à fase de escolha do cabeça-de-lista. Havia duas hipóteses: ou o PSD voltava a apostar num independente, que desse uma imagem de maior abrangência ou apostaria numa figura partidária com grande experiência e capacidade política. Na altura, defendi que haveria mais vantagens da parte dos social-democratas em irem pelo primeiro caminho, voltando a apostar em Paulo Neves. Isso tinha a ver com a situação nacional que poderia contaminar as eleições locais. As pessoas do Cartaxo sabem que a Câmara está numa situação financeira muito complicada, vêm os caminhos e estradas esburacados, os apoios às colectividades cortados e, obviamente, não gostam e haverá a tendência de castigar nas eleições quem consideram responsáveis por isso. Mas também não gostam seguramente de ver os seus salários diminuídos, os seus impostos aumentados e os seus familiares desempregados. E sabem que a responsabilidade por isso acontecer é do poder central e não do local. Era previsível que muitos tivessem a tentação de punir o principal partido do poder, o PSD, nestas eleições.
Um candidato independente poderia mais facilmente demarcar-se do Governo. Bastava-lhe dizer que não era militante do partido, que também sofria por essas políticas, que não as defendia e que só se candidatava para fazer o que fosse possível pela sua terra. Caso arrumado.
O mesmo não poderia fazer uma pessoa como Vasco Cunha cuja imagem, por ser deputado, estava muito colada à política do Governo.
Ora, como se sabe, o PSD optou por avançar com Vasco Cunha. Mas, consciente do perigo que referi, tentou equilibrar as listas, enchendo-as de independentes e até de gente ligada à área socialista, procurando também, por esta via, dividi-la ainda mais. A estratégia pareceu-me inteligente e os social-democratas até tiveram a sorte de PS e Paulo Varanda não atacarem Vasco Cunha, ao longo da campanha, de forma a colá-lo ao Governo.

Afinal, as pessoas resolveram aproveitar mesmo as eleições locais para mostrarem um cartão amarelo ao Governo. Isso fez com que a maior parte das candidaturas do PSD apanhassem por tabela e registassem votações muito abaixo do que esperariam. Isso também aconteceu no Cartaxo.
Mas parece-me haver outra razão para o descalabro local dos social-democratas. Ao contrário do que eu próprio esperava, a votação de Paulo Varanda não foi conseguida, em boa medida, à custa do PS. Ao analisar os resultados, verificamos que, aparentemente, terá ido buscar votos a todos os partidos e um dos mais prejudicados até foi o PSD, que perdeu quase 1.100 votos. É evidente que não se pode dizer que houve uma transferência directa de votos da CDU, do Bloco e do próprio PSD para Paulo Varanda, ter-se-ão registado, seguramente, transferências cruzadas e haverá gente que não tinha votado há quatro anos e que foi votar agora. Mas o que é facto é que  todos esses partidos (PS incluído) perderam votos e Paulo Varanda arrecadou mais de 2.800.
Terá havido, igualmente, uma tendência para o voto útil. Muitos cartaxeiros que não gostavam de Paulo Varanda e da sua gestão poderão ter olhado ao lado e verificado que a melhor forma de o afastar do poder seria votarem na candidatura que estava estava em melhores condições de o derrotar e optaram pelo PS.

Mas a política (tal como a vida) não deixa de ser irónica. Apesar de ter tido um dos seus piores resultados de sempre nestas eleições, o mandato que se aproxima até pode ser aquele em que o PSD tenha mais influência e deixe a sua marca na governação autárquica. Mas sobre isso falarei num próximo post.

(Opinião, Jorge Eusébio)