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quarta-feira, 11 de março de 2015

Bloco e Verdes pedem demissão de Passos Coelho

O Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista Os Verdes assumiram que Passos Coelho não tem condições para se manter como 1º ministro devido aos seus problemas com a Segurança Social e o Fisco e pediram implicitamente a sua demissão.

Todos os intervenientes da oposição disseram, no debate parlamentar desta 4ª feira, tratar-se de uma questão política e não pessoal. Em especial, porque Passos Coelho foi alertado para o facto de ter dívidas para com a Segurança Social em 2012, já como 1º ministro, e ter decidiu não as pagar de imediato. Só acabou por fazê-lo quase três anos mais tarde depois de um jornalista o ter contactado com o objectivo de fazer uma notícia sobre o assunto.

Também lembraram que, apesar de saber que estava em incumprimento, nos anos 2013 e 2014, o seu Governo aumentou bastante as coimas e penalizações para com os que tivessem falhas como as suas.

Passos Coelho voltou a esgrimir os argumentos já elencados até agora, nomeadamente que não regularizou de imediato para que não pensassem que era privilegiado por ser 1º ministro. Mas disse que o essencial é que acabou por pagar, por sua iniciativa, dívidas que estavam prescritas. Passos Coelho garantiu ainda ter, nesta altura, toda a situação regularizada, quer em relação à Segurança Social, quer ao Fisco e entregou declarações de não dívida emitidas pelos respectivos serviços.

No decorrer do debate, registou-se um incidente, com algumas pessoas que estavam nas bancadas a gritarem palavras como “demissão”.



segunda-feira, 9 de março de 2015

A lista de gente importante

Esta Quarta-feira, há o habitual debate dos deputados com o 1º ministro e, em grande destaque, vai seguramente estar a situação contributiva de Passos Coelho. 
Por mim, aceito as explicações dadas pelo homem: ignorância da lei (custa a engolir, tendo em conta que era deputado, mas enfim...), distracção e falta de dinheiro.

Idênticos motivos devem ter levado muitos milhares de portugueses a também não cumprirem dentro do prazo as duas obrigações. Mas a esmagadora maioria não deve ter tido a sorte de não ser chamado à pedra e de ter visto as dívidas prescreverem. O mais provável é terem sido obrigados a pagar pesadas multas e até a serem penhorados. De nada lhes terá valido alegarem ignorância, distracção ou falta de dinheiro.

Pela mesma falha que Passos Coelho teve para com a Segurança Social, alguns podem, nesta altura, até ir parar à cadeia, devido a uma lei aprovada pelo Governo de Passos Coelho. Na opinião de Passos Coelho e do seu Governo trata-se, portanto, de uma falha grave. Daí que não se perceba que fiquem indignados por as pessoas quererem ser devidamente esclarecidos do que se passou em relação a Passos Coelho.

Uma das situações que devem ser esclarecidas é porque a coisa foi correndo sem ninguém dar por ela até prescrever. Há dias, um sindicato da função pública veio acusar o Governo de ter uma lista de gente VIP a cujos dados os funcionários não podem aceder para saber se têm a sua situação contributiva em dia. Será que essa lista já existe há mais tempo, não só no Fisco como na Segurança Social, e é devido a ela que pessoas importantes como Passos Coelho não foram, em devido tempo, intimados a pagar o que deviam? 
Vídeo relacionado:



(Opinião, Jorge Eusébio)

domingo, 8 de março de 2015

Cavaco perdeu mais uma boa oportunidade para estar calado

O presidente da República teve cerca de uma semana para pensar no caso que envolve Passos Coelho. Depois de muito reflectir e de, suponho, ter ouvido os muitos assessores que tem lá pelo palácio, saiu à rua e reduziu tudo a manobras pré-eleitorais. 

Com isto, obviamente, afrontou a oposição e colocou-se ao lado da coligação governamental e, em especial, do 1º ministro. A um presidente da República, acho eu, competia outro tipo de atitude mais equilibrada e institucional.

Mas, mais importante do que isso, é vir, na prática, desvalorizar a importância dos cidadãos cumprirem a tempo e horas as obrigações que têm perante o fisco e a Segurança Social. Pelo menos, quando isso se reporta ao cidadão Pedro Passos Coelho.
É que há por aí muitos outros cidadãos que correm o risco de ir parar à cadeia por faltas exactamente iguais às do 1º ministro. E de nada lhes adianta dizer que não sabiam, não tinham dinheiro ou que se esqueceram. Isto porque o Governo de Passos Coelho decidiu que a falta de pagamentos à Segurança Social de verbas superiores a 3500 euros passa a poder ser penalizada com prisão. Imagino que a medida tenha sido tomada porque Passos Coelho e o seu governo entendeu que se trata de uma falta extraordinariamente grave...

Enfim, e depois ainda há quem se queixe que Cavaco Silva fala pouco. Para ter intervenções deste género, por mim pode passar o resto do mandato calado. Até porque está longe de ser raro que ele dê autênticos tiros nos pés.
Vídeos relacionados:



(Opinião, Jorge Eusébio)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Portugal não é a Grécia


Em tempos, acusava-se o PCP de ter sempre a mesma cassete. Nos últimos anos tem sido o governo a usar e abusar de uma cassete: “Portugal não é a Grécia”. Aliás, quem ouviu o 1º ministro e a ministra das Finanças na passada semana e ainda lhes dá algum crédito, deve ter pensado que, em termos sociais e económicos, não só nos afastámos consideravelmente da Grécia, como já estamos bem perto da Alemanha.

É uma chatice a forma como a realidade consegue estragar uma óptima história. A verdade é que, apesar da brutal carga de impostos de que temos sido vítimas, a dívida pública portuguesa não pára de subir. No final de 2014 estava em 224,5 mil milhões de euros, um aumento de 5,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2013!

Apesar de todos os esquemas (estágios, cursos e financiamento público a empresas privadas para terem as pessoas ocupadas e fora das estatísticas oficiais), a verdade é que o número de desempregados reais é uma loucura: cerca de 1,2 milhões, o que faz a taxa disparar para 23,8%

A nível social, números oficiais indicam que voltámos aos níveis de pobreza de há dez anos. E, ainda há dias, o presidente da Cruz Vermelha veio dizer que há cada vez mais portugueses que não têm dinheiro para comprar comida e pagar as contas da água e da luz, tendo a instituição ajudado com meio milhão de euros em 2014 para esse tipo de pagamentos.

Deve ser, portanto, este belo panorama que faz Passos Coelho garantir que “Portugal não é a Grécia” e que o programa de ajustamento está a correr às mil maravilhas. Não há ninguém que ofereça uns óculos ao homem? Ou um bocado de bom-senso?

(Opinião, Jorge Eusébio)





sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O fim de Ricardo Araújo Pereira

Gosto muito do humor do Ricardo Araújo Pereira, mas parece-me que ele devia pensar em reformar-se. Agora que Joe Berardo resolveu entrar no ramo, não há hipótese. O homem é um talento, é humorista e dos bons. Ainda não parei de rir desde que li a piada dele sobre Passos Coelho andar a perseguir os coitadinhos dos tipos ricos.

(Opinião, Jorge Eusébio)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Uma janela de oportunidade

Filipe La Féria veio confessar que é o culpado por muitas das desgraças que nos estão a acontecer. Parece que o sonho de Passos Coelho era ser cantor, tentou participar num musical de La Féria mas foi rejeitado. Como vingança, tornou-se 1º ministro. Bom, há aqui uma janela de oportunidade para resolver parte do nosso problema. Vamos todos contribuir para financiar um novo musical do La Féria. Com a condição inegociável que Passos Coelho seja o protagonista e não possa acumular com qualquer outra actividade. Vai-nos seguramente sair mais barato fazer este esforço financeiro do que continuar a tê-lo como chefe do Governo.

(Opinião, Jorge Eusébio)