quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Caso José Sócrates - Os documentos

Doc. 5) Carta de José Sócrates ao Diário de Notícias publicada em 4 de Dezembro de 2014

Prende-se para melhor se investigar. Prende-se para humilhar, para vergar. Prende-se para extorquir, sabe-se lá que informação. Prende-se para limitar a defesa: sim, porque esta pode "perturbar o inquérito". Mas prende-se, principalmente, para despersonalizar. Não, já não és um cidadão face às instituições; és um "recluso" que enfrenta as "autoridades": a tua palavra já não vale o mesmo que a nossa. Mais que tudo - prende-se para calar. E - suprema perfídia - invoca-se, para assim proceder, as regras do Direito, a legitimidade da democracia. "As instituições estão a funcionar."


E do segredo de justiça. Prende-se, também, de uma outra forma - na prisão da opinião pública. Sim, há o segredo de justiça, mas esse só a defesa está obrigada a cumpri-lo. Nem precisam de falar - os jornalistas (alguns) fazem o trabalho para eles. Toma lá informação, paga-me com elogios. Dizem-lhes o que é crime conhecerem, eles compensam-nos com encómios: magnífico juiz; prestigiado procurador; polícia dedicado e competente. Lado oculto e podre, é certo. Mas há quanto tempo o conhecemos? Há quanto tempo sabemos que a impunidade de quem comete esses crimes está sustentada na intimidação e na cumplicidade? Sim, na intimidação, desde logo. 

O recalcitrante sabe que arrisca uma campanha negativa na imprensa, senão mesmo uma investigação. E sabemos como pesa a simples notícia de que se está sob investigação.Mas, também, a cumplicidade. Digamo-lo sem rodeios: o "sistema" vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas; do cinismo das faculdades e dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto. De resto, basta-lhes dizer: "Deixem a justiça funcionar." Sim, não se metam nisto. É verdade que, há muito, alguns desafiam o sistema e dizem abertamente que a justiça foi ultrapassada. Bem o vemos. Mas, e se foi ultrapassada por aqueles a quem confiamos a nossa liberdade? Sim - pergunta clássica - quem nos guarda dos guardas? Silêncio. "As instituições estão a funcionar."

(Fonte: Site do DN)

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Doc. 4) Declaração escrita de José Sócrates em 26 de Novembro de 2014, à TSF

Há cinco dias “fora do mundo”, tomo agora consciência de que, como é habitual, as imputações e as “circunstâncias” devidamente selecionadas contra mim pela acusação ocupam os jornais e as televisões. Essas “fugas” de informação são crime. Contra a Justiça, é certo; mas também contra mim.
Não espero que os jornais, a quem elas aproveitam e ocupam, denunciem o crime e o quanto ele põe em causa os ditames da lealdade processual e os princípios do processo justo.

Por isso, será em legítima defesa que irei, conforme for entendendo, desmentir as falsidades lançadas sobre mim e responsabilizar os que as engendraram.
A minha detenção para interrogatório foi um abuso e o espetáculo montado em torno dela uma infâmia; as imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e infundamentadas; a decisão de me colocar em prisão preventiva é injustificada e constitui uma humilhação gratuita.
Aqui está toda uma lição de vida: aqui está o verdadeiro poder – de prender e de libertar. Mas, em contrapartida, não raro a prepotência atraiçoa o prepotente.

Defender-me-ei com as armas do Estado de Direito – são as únicas em que acredito. Este é um caso da Justiça e é com a Justiça Democrática que será resolvido. Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos e sensibilizam-me as manifestações de solidariedade de tantos camaradas e amigos. Mas quero o que for político à margem deste debate. Este processo é comigo e só comigo. Qualquer envolvimento do Partido Socialista só me prejudicaria, prejudicaria o Partido e prejudicaria a Democracia.
Este processo só agora começou.

Évora, 26 de Novembro de 2014
José Sócrates
(Fonte: Site da TSF)

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Doc. 3) Comunicado do Tribunal Central de Instrução Criminal,  em 24 de Novembro, anunciando as medidas de coacção

A fim de salvaguardar a tranquilidade pública e, não obstante o segredo de justiça vigente no autos abaixo referidos, nos termos e abrigo do artigo 86, nº 13 do Código do Processo Penal, o Tribunal Central de Instrução Criminal presta os seguintes esclarecimentos:

Nos autos de inquérito com o número 122/13.8TELSB investiga-se a prática de crimes de:
- fraude fiscal qualificada,
- corrupção e
- branqueamento de capitais.

No cumprimento de mandados de detenção fora de flagrante delito, emitidos pelo JIC, sob promoção do MP, os cidadãos:
- João Pedro Soares Antunes Perna,
- Carlos Manuel dos Santos Silva e
- Gonçalo Nuno Mendes Trindade Ferreira
foram detidos, respetivamente, às 21h 38min, do dia 20/11/2014 e às 01h 45min e 02h 15min do dia 21/11/2014, tendo os seus interrogatórios judiciais  ocorrido no dia 21 (o de João Perna) e, ao longo do dia 22/11/2014 (os de Gonçalo Trindade e Carlos Manuel Santos Silva).
José Sócrates Pinto de Sousa foi detido no Aeroporto de Lisboa pouco depois das 22h 30min de 6ª feira, dia 21/11/2014, conduzido ao DCIAP, onde lhe foi certificada a detenção às 23h 15min, constituído arguido e lavrado TIR.

Foi presente no TCIC no dia 22/11/2014, pela 17 horas e iniciou-se o seu interrogatório judicial às 17h 08min, interrogatório esse, interrompido para facultar ao arguido e seu defensor tempo para consultarem o despacho de apresentação, tomando conhecimento dos factos e enquadramento jurídico-criminal imputado.
No ínterim, prossegui o interrogatório de outro detido e, após o seu términus, pela 23h 27 min do referido dia 22/11, sábado, foi adiada a continuação do interrogatório a José Sócrates para dia 23/11/2014 (domingo), pela 9 horas.
O interrogatório reiniciou-se pelas 9h 38min e foi interrompido, para alimentação dos intervenientes, entre as 12h 25min e as 13h 18min, tendo prosseguido até às 20h 05min.
Foi retomado pelas 10h 07min de 24/11/2014, teve uma pausa entre 11h 52 min e as 12h 09min e terminou pelas 12:34 horas.
Foi apresentada a promoção sobre o estatuto coativo e feitas alegações pelas defesas que se iniciaram às 16h36, tendo terminado às 19h46m.

Aos arguidos foram imputados os seguintes crimes:
João Pedro Soares Antunes Perna: fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e detenção de arma proibida;
Gonçalo Nuno Mendes da Trindade Ferreira: fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.
Carlos Manuel dos Santos Silva: fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais
José Sócrates Pinto de Sousa: fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.

Nos presentes autos foi declarada a excepcional complexidade por despacho proferido em 03/07/2014.
Devendo os autos prosseguir os seus termos e a requerimento do MP, ponderados os elementos existentes nos autos e a posição das Defesas, foram aplicadas aos arguidos as seguintes medidas de coacção:
João Pedro Soares Antunes Perna: a medida de coacção de prisão preventiva;
Gonçalo Nunes Mendes da Trindade Ferreira:
- obrigação de proibição de contactos com os demais arguidos;
- proibição de ausência para o estrangeiro, devendo entregar o respectivo passaporte;
- e, de obrigação de apresentação bi-semanal no DCIAP.
Carlos Manuel dos Santos Silva:
- medida de coacção de prisão preventiva
José Sócrates Pinto de Sousa:
medida de coacção de prisão preventiva

Lisboa, 24 de Novembro de 2014, pelas 22 horas e 07 minutos"
(Fonte: Site do Expresso)

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Doc. 2) 2ª Nota à Comunicação Social da Procuradoria-Geral da República - 22 de Novembro de 2014

Inquérito DCIAP - Detidos

Ao abrigo do disposto no art. 86.º, n.º 13, al. b) do Código de Processo Penal, a Procuradoria-Geral da República torna público o seguinte:
Como foi informado oportunamente, no âmbito de um inquérito, dirigido pelo Ministério Público e que corre termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), e onde se investigam suspeitas dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, foram efetuadas quatro detenções.
Para além de José Sócrates, detido ontem, foram ainda detidos, na passada quinta-feira, Carlos Santos Silva, empresário, Gonçalo Trindade Ferreira, advogado, e João Perna, motorista.
Os interrogatórios dos detidos, no Tribunal Central de Instrução Criminal, tiveram início ontem e foram retomados já este sábado.
Esclarece-se também que este inquérito teve origem numa comunicação bancária efectuada ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) em cumprimento da lei de prevenção e repressão de branqueamento de capitais, Lei n.º25/2008, que transpôs para a ordem jurídica interna Directivas da União Europeia.
Reitera-se, assim, que se trata de uma investigação independente de outros inquéritos em curso, como o Monte Branco ou o Furacão, não tendo origem em nenhum destes processos.
O inquérito, que investiga operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível, encontra-se em segredo de justiça.

Lisboa, 22 de novembro de 2014
O Gabinete de Imprensa
(Fonte: Site da Procuradoria-Geral da República)

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Doc. 1) 1ª Nota à Comunicação Social da Procuradoria-Geral da República - 22 de Novembro de 2014

Nota para a Comunicação Social
Inquérito DCIAP - Diligências

Ao abrigo do disposto no art. 86.º, n.º 13, al. b) do Código de Processo Penal, a Procuradoria-Geral da República torna público o seguinte:
No âmbito de um inquérito, dirigido pelo Ministério Público e que corre termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), e onde se investigam suspeitas dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, na sequência de diligências, desencadeadas nos últimos dias, foram efetuadas quatro detenções.
Entre os detidos encontra-se José Sócrates.

Três dos detidos foram presentes ao juiz de instrução criminal durante o dia de sexta-feira, sendo que os interrogatórios serão retomados este sábado. Também este sábado, o quarto arguido será presente ao juiz de instrução.
Foram ainda realizadas buscas em vários locais, tendo estado envolvidos nas diligências quatro magistrados do Ministério Público, e sessenta elementos da Autoridade Tributária e Aduaneira e da Polícia de Segurança Pública (PSP), entidades que coadjuvam o Ministério Público nesta investigação.
O inquérito, que investiga operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível, encontra-se em segredo de justiça.

Esclarece-se também que esta investigação é independente do denominado inquérito Monte Branco, não tendo tido origem no mesmo.

Lisboa, 22 de novembro de 2014
O Gabinete de Imprensa

(Fonte: Site da Procuradoria-Geral da República)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dizer não à polícia... com todo o respeito



Nos Estados Unidos, tal como em Portugal, é frequente os automobilistas serem mandados parar pela polícia. Sobretudo em estradas situadas a poucos quilómetros das fronteiras. Supostamente, estas acções destinam-se a travar a imigração ilegal e o tráfico de drogas. 

Por regra, os automobilistas param e respondem às perguntas do agentes. A primeira delas costuma ser: “é um cidadão americano?” Depois, podem ser solicitados a abrir a bagageira ou a estacionar um pouco mais à frente para uma inspecção geral ao veículo. 

No entanto, há quem não esteja pelos ajustes. Param o veículo, sim senhor, mas depois recusam-se a responder a qualquer pergunta dos agentes. Alegam, respeitosamente, que é inconstitucional serem mandados parar e sujeitos a tais perguntas e inspecções dos veículos. E, pelos vistos, até têm razão. Daí que, depois de alguns minutos de troca de argumentos, acabem, geralmente, por seguir viagem sem satisfazer a curiosidade das autoridades.


domingo, 23 de novembro de 2014

Operações da PSP com radar




SANTARÉM
24-nov-14 (Segunda-feira) 08H00/12H00 Rua Dr. Francisco Alves - Ourém
26-nov-14 (Quarta-feira) 14H00/18H00 Rua Dr. Francisco Sá Carneiro – Entroncamento
AÇORES
26-nov-14 06H45 Av. Alberto Príncipe de Mónaco - Ponta Delgada

AVEIRO
26-nov-14 08H00/14H00 EN 109 - Km 58.1 - Aveiro
26-nov-14 09H00/13H00 Rua Dr. Eduardo Vaz - Santa Maria da Feira
28-nov-14 15H00/19H00 Av. da Liberdade - São João da Madeira

BRAGA
25-nov-14 15H00/17H00 Av. do Cávado - Braga

COIMBRA
24-nov-14 15H00 Av. Urbano Duarte Coimbra
28-nov-14 08H00 Av. do Brasil - Figueira da Foz

FARO
24-nov-14 08H30 EN 125, (sentido Aeroporto - Faro) – Faro
26-nov-14 08H30 Av. De Castro Marim – Vila Real de Santo António
27-nov-14 08H30 Av. Dom João VI - Olhão

LISBOA
24-nov-14 09H00 Av. das Descobertas
26-nov-14 07H30 EN 117 - Amadora

MADEIRA
26-nov-14 07H45 Rua Pestana Júnior; Rua 5 de Outubro e Av. das Madalenas
28-nov-14 14H00 VE 1 - Túnel do Norte - Porto da Cruz
29-nov-14 08H00 Via Expresso 3, Km 1 - Concelho da Ribeira Brava

PORTO
25-nov-14 08H00/12H00 Av. D. João II – Oliveira do Douro
28-nov-14 14H00/18H00 Estrada da Circunvalação c/ Rua Congostas - Porto

PORTALEGRE
24-nov-14 09H00/12H00 EN 246 - Portalegre

SETUBAL
25-nov-14 08H30 Av. Fialho Gouveia, Av.ª de Portugal; Av. Garcia de Orta

VIANA DO CASTELO
27-nov-14 10H00 Av. Paulo VI, Darque - Viana do Castelo

VILA REAL
27-nov-14 14H00/17H00 Av. do Tâmega – Chaves

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Carta aberta aos deputados eleitos pelo círculo eleitoral de Santarém


Caros deputados,

Devo confessar que há vários anos que desisti de confiar em partidos políticos, preferindo votar em branco na generalidade das eleições de âmbito nacional. Uma das razões é ideológica: sou social-democrata e não me parece que, na prática, qualquer partido português represente essa área política.

A outra razão tem a ver com o facto de achar que os políticos vivem numa espécie de redoma sem grande contacto com a generalidade do povo que é suposto representarem. Sem ofensa, das poucas vezes que tento seguir um debate parlamentar, acabo por rapidamente desistir. Correndo o risco de ser injusto, julgo que, por aí, e usando umas expressões populares, se joga muito para a bancada e se discute demasiado o sexo dos anjos. Parece haver um fosso enorme entre o que os políticos, em geral, e os deputados, em particular, entendem ser as suas prioridades e as dos cidadãos comuns. Um exemplo muito evidente desse divórcio é o recente caso da tentativa de repor as subvenções vitalícias dos políticos.

Há questões bem práticas que afectam as pessoas que me parece merecerem maior atenção da vossa parte. Como, por exemplo, as multas brutais que o fisco cobra a quem se atrasa no pagamento um dia que seja. São verbas astronómicas e, na minha opinião, imorais. Mas, ainda assim, se as cobram, é porque devem ser legais. Outros exemplos são as taxas e comissões que pagamos aos bancos, à EDP e o preço demasiado elevado dos combustíveis. 

Mas esta missiva tem essencialmente o objectivo de vos chamar a atenção para um caso concreto que afecta largos  milhares de cidadãos, muitos deles no distrito por onde os senhores foram eleitos. Estou a falar da forma como o Estado trata quem recorre ao Fundo de Garantia Salarial. É, como sabem, um fundo que tem como objectivo assegurar aos trabalhadores o pagamento de dívidas por parte de empresas que foram declaradas insolventes. 

As pessoas em causa têm de entregar a documentação que demostre reunirem os requisitos para recorrem a esse fundo e depois… ficam à espera. E convém que esperem sentadas, pois no distrito cada processo leva mais de um ano a ser analisado e despachado.
Entretanto, gente que ficou sem emprego, com verbas por receber que tanta falta lhes faz e com poucas ou nenhumas receitas mensais espera e desespera.
Pelas informações que recolhi, isso resulta do facto da Segurança Social ter apenas dois técnicos a analisarem milhares de processos. 

Tendo em conta que são deputados eleitos pela região e que esta situação afecta muitos dos vossos eleitores, penso que não seria descabido que desenvolvessem diligências que levem o Governo a encontrar formas de resolver o problema. Não me parece que seja difícil, nem que daí advenha um custo exagerado para o Estado. Afinal de contas, se num fim-de-semana se encontrou forma de colocar 4,5 mil milhões no Novo Banco, também não deve ser nada do outro mundo solucionar esta questão.

Com os melhores cumprimentos
Jorge Eusébio

Um cão vaidoso

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2014/11/cao-independente-vai-sozinho-tomar-banho-em-pet-shop-no-rs-veja-video.html


Para o Bill, 4ª feira é dia de banho. E, contrariamente à esmagadora maioria dos cães, ele não faz birra. Pelo contrário, desloca-se sozinho ao veterinário, de onde, algum tempo depois, sai lavadinho, perfumado e com um vistoso laço ao pescoço. O Bill tornou-se uma celebridade na cidade brasileira onde habita e já foi alvo de notícias em montes de rádios e jornais, uma fama que até já preocupa o seu dono que tem receio que o raptem.

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